Dois mortos e um desaparecido em desabamento de ciclovia no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, 21 Abr 2016 (AFP) - Um trecho de 50 metros da ciclovia Tim Maia, na avenida Niemeyer, que liga o bairro do Leblon a São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, deixou dois mortos e um desaparecido, informou o Corpo de Bombeiros.

"Há dois mortos confirmados, do sexo masculino, adultos", que foram retirados do mar, afirmou uma porta-voz do Corpo de Bombeiros. "Também há um desaparecido".

Segundo a imprensa, uma das vítimas fatais foi identificada como Eduardo Marinho de Albuquerque, um engenheiro de 54 anos. A segunda vítima, ainda não identificada, teria entre 40 e 50 anos.

O secretário municipal de governo, Pedro Paulo, disse que o acidente foi fruto de uma "forte ressaca, uma onda que bateu de baixo para cima" na pista. Ele confirmou o balanço de dois mortos e um desaparecido.

O secretário se recusou a falar sobre as causas da tragédia e pediu aos jornalistas que aguardem o laudo técnico dos engenheiros que fizeram a obra. As duas pistas da Avenida Niemeyer estão fechadas ao tráfego e os bombeiros mantêm as buscas no local.

Segundo fontes oficiais, três pessoas foram resgatadas após o desabamento, que ocorreu por volta das 11h30. As autoridades mobilizaram bombeiros, mergulhadores, lanchas, motos aquáticas e helicópteros para os trabalhos de busca.

Um morador da Rocinha, comunidade próxima à ciclovia, contou ter se salvado por milagre.

"Acabava de passar de bicicleta quando subiu uma onda muito grande. Ela bateu no paredão e subiu 4 ou 5 metros, e a passarela caiu no mar, cinco metros atrás de mim. Vimos cair cinco pessoas que estavam de bicicleta também. Acho que morreram. O mar está muito bravo hoje. Acho que os bombeiros encontraram dois ou três", disse Damião Pinheiro de Araújo, aposentado de 60 anos.

A ciclovia, inaugurada em janeiro, teve custo de R$ 45 milhões, como parte das obras de melhorias na cidade para os Jogos Olímpicos 2016.

Com quase 4 km de extensão e 2,5 metros de largura, a Ciclovia Tim Maia foi concebida como um circuito de atração turística e um dos legados olímpicos.

Em nota, o prefeito Eduardo Paes anunciou que "lamenta profundamente o acidente na ciclovia e se solidariza com as famílias das vítimas e com todos os cariocas neste momento".

O prefeito, que estava em viagem para a Grécia, onde participaria da cerimônia de passagem da tocha olímpica, está voltando ao Brasil e falará com a imprensa na sexta-feira.

"É imperdoável o que aconteceu, já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto" a situação, informou Eduardo Paes.

Ainda segundo a Prefeitura, a fundação Geo-Rio, responsável pela contenção de encostas, vai apurar as causas do acidente e divulgará um laudo assim que concluir os trabalhos.

A empresa encarregada da construção da ciclovia será a responsável pelos concertos, sem custos para o município, pois a pista ainda estava na garantia.

Uma equipe do consórcio Contemat-Concrejato, encarregado da obra, informou que uma equipe técnica avalia as causas do incidente.

"Seja da empresa que fez a obra, dos engenheiros que fizeram os cálculos, vamos exigir explicações", disse Pedro Paulo.

A prefeitura informou, ainda, que outras obras de infraestrutura realizadas no âmbito dos Jogos serão revisadas.

Um grupo de ciclistas convocou uma manifestação nesta quinta-feira para "pedalar pelas vidas perdidas no incidente (e não acidente), pelo abandono do poder público com a vida de quem usa a bicicleta e por mais segurança no trânsito para as pessoas", segundo a convocação, feita pelas redes sociais.

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