Obama recorda soldados mortos na Europa e pede que britânicos fiquem na UE

Londres, 22 Abr 2016 (AFP) - O presidente Barack Obama defendeu em Londres a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), recordando os soldados americanos caídos nas guerras pela Europa, por ocasião de sua visita à capital britânica.

"Os milhares e milhares de americanos enterrados na Europa são o testemunho silencioso de quão entrelaçadas estão nossa segurança e prosperidade", escreveu Obama em um artigo publicado no jornal The Daily Telegraph.

Obama começa o artigo com uma recordação de um de seus antecessores, Franklin Roosevelt, o presidente que definiu a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e recordou que, sob instituições com a UE, foram "sete décadas de relativa paz e prosperidade na Europa".

"Das cinzas da guerra, aqueles que nos precederam tiveram a lucidez de criar instituições internacionais que sustentaram uma paz próspera".

Deste modo, Obama dá respaldo ao primeiro-ministro David Cameron, que defende a permanência do Reino Unido na UE no referendo de 23 de junho.

O presidente desembarcou em Londres na quinta-feira para uma visita de quatro dias. Nesta sexta-feira, almoçará com a rainha Elizabeth II e depois se reunirá com David Cameron, com o qual concederá uma entrevista coletiva.

De acordo com a média das pesquisas mais recentes, os partidários da permanência na UE estão em vantagem (54%-46%), mas o percentual de indecisos de quase 10% pode mudar o resultado.

"Eu vou dizer, com a franqueza de um amigo, que o resultado de sua decisão é um tema de profundo interesse para os Estados Unidos", escreveu no Daily Telegraph, para justificar sua intervenção no debate, criticada pelos partidários da saída do bloco.

Obama destacou que integrar a UE favorece a influência de Londres no mundo e ajuda a difundir os valores britânicos.

A intensa defesa da permanência britânica na UE foi além do esperado pelos especialistas.

"É uma grande surpresa. Pensávamos que faria um apelo à razão, mas fez um chamado muito apaixonado. Foi uma intervenção pessoal muito incomum", declarou à AFP Richard G. Whitman, professor de relações internacionais da Universidade de Kent.

Uma pesquisa da Sky News revelou que 25% dos britânicos se sentiram mais inclinados a votar a favor da permanência na UE após as palavras de Obama, contra 17% menos inclinados, e o resto manteve a mesma opinião.

Esta é a quinta visita de Obama ao Reino Unido como presidente e provavelmente a última, já que está no último ano do segundo mandato. Mas sem dúvida é a mais polêmica.

Quase 100 deputados eurocéticos assinaram um manifesto com um pedido para que não interferisse na campanha eleitoral, sem sucesso.

Nigel Farage, líder do partido anti-UE Ukip, disse que o presidente americano deveria cuidar do que lhe diz respeito.

"Esta é uma ingerência não bem-vinda de um dos presidentes americanos mais antibritânicos. Felizmente não ficará muito tempo a mais no cargo", disse Farage.

"Sabemos que os Estados Unidos pagaram um alto preço para nos ajudar a nos livrar da tirania. De todos os modos, isso é passado. Não há perspectivas de que os alemães cruzem o rio Reno por Estrasburgo", assegurou em Londres.

O prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, a figura de maior destaque do campo anti-UE, acusou Obama de "hipocrisia".

"Os americanos não aceitariam por nada no mundo algo que se parecesse com a UE, nem para eles, nem para seus vizinhos. Por quê acreditam que é algo bom para nós?", escreveu Johnson no jornal The Sun.

Johnson também retomou a acusação de que Barack Obama retirou da Casa Branca um busto de Winston Churchill e obteve uma resposta irritada por parte de Downing Street e do neto do líder britânico.

O neto de Churchill, Nicholas Soames, deputado conservador como Johnson, respondeu no Twitter: "não é obrigatório ter o busto de Churchill no gabinete do presidente. Um argumento estúpido e irrelevante", escreveu, pedindo que Johnson "amadureça".

Cameron, que aposta sua carreira política no referendo, ressaltou a força dos laços com os Estados Unidos e afirmou que a reunião com Obama também abordará outros temas, como a luta contra o Estado Islâmico.

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