Áustria surpresa com vitória da extrema-direita no 1º turno presidencial

Viena, 25 Abr 2016 (AFP) - Os partidos no poder na Áustria se mostravam consternados nesta segunda-feira depois de terem sido eliminados na véspera no primeiro turno das eleições presidenciais, nas quais o candidato de ultradireita Norbert Hofer ficou em primeiro lugar, com 35% dos votos.

Com a crise dos refugiados como pano de fundo e o auge do populismo na Europa e nos Estados Unidos, Hofer, ligado ao líder do partido de extrema-direita FPÖ, Heinz-Christian Strache, deixou para trás os candidatos dos partido social-democrata e conservador, unidos em uma grande coalizão desde 2008.

Com 35% dos votos, um ecologista, o resultado de Hofer é o melhor obtido por seu partido em uma eleição nacional na Áustria desde a Segunda Guerra Mundial.

O segundo candidato mais votado neste primeiro turno foi o ecologista Alexander Van der Bellen, com 21,3% dos votos.

O segundo turno será disputado entre os dois candidatos no dia 22 de maio.

Em terceiro lugar, ficou a candidata independente Irmag Griss com 18,5%. O social-democrata Rudolf Hundstorfer (SPÖ) e o conservador Andreas Khol (ÖVP) foram eliminados, com 11,3% e 11,1% dos votos, respectivamente.

Esta é a primeira vez que os grandes partidos tradicionais são eliminados no primeiro-turno.

"É um resultado histórico, que reflete as qualidades de Norbert Hofer, mas também uma profunda insatisfação em relação ao governo", destacou o líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, em declaração à rede de televisão pública ORF.

Na França, a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, que segundo as pesquisas disputará o segundo turno nas eleições presidenciais em 2017, afirmou que este é um "resultado magnífico", e expressou "bravo ao povo austríaco" em sua conta do Twitter.

Apesar de a função do presidente austríaco ser essencialmente honorífica, um fracasso dos candidatos dos grandes partidos poderia supor uma advertência para o chanceler Werner Faymann (SPÖ) e para o vice-chanceler Reinhold Mitterlenher (ÖVP), cujo mandato termina em 2018.

O desgaste do poder foi reforçado pelo fato de os dois partidos (que ficaram de fora do segundo turno) governarem juntos há oito anos, o que faz do FPÖ e dos Verdes os únicos partidos de oposição, afirmam os analistas.

"Como em outras partes da Europa, estamos assistindo a erosão dos partidos tradicionais, que há dez anos não conseguem se renovar nem atrair novos eleitores", explicou à AFP antes da votação o cientista político Peter Hajek.

A crise dos imigrantes e o aumento do desemprego também afetaram os partidos tradicionais em benefício da formação de extrema direita FPÖ, que superou a barreira de 30% dos votos em várias cidades durante as eleições municipais do ano passado.

"Normalmente, as eleições presidenciais se centram na personalidade dos candidatos. Mas neste ano, temas como os refugiados e o desemprego tiveram um papel importante", explicou Karin Cvrtila, do instituto OGM.

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