Assassinatos de ativistas da comunidade gay aumentam a tensão em Bangladesh

Dacca, 26 Abr 2016 (AFP) - A tensão se acentuou nesta terça-feira em Bangladesh depois dos assassinatos com facão de dois militantes da comunidade gay, os últimos de uma série de ataques violentos contra intelectuais, escritores e minorias religiosas.

Ao menos seis homens com facões e outras armas invadiram na noite de segunda-feira um prédio em Daca e mataram Xulhaz Mannan, editor de uma revista voltada para o público gay, e seu amigo, Mahbub Tonoy, também ativista.

Os dois receberam ameaças islamitas em seu combate pelos direitos da comunidade homossexual.

Organizações de direitos humanos disseram que estas mortes, junto com a de um professor universitário no sábado passado, levam a pensar que os agressores ampliaram seus objetivos. Os grupos exigiram justiça e uma proteção maior para as minorias neste país muçulmano conservador.

"O brutal assassinato de hoje de um editor de uma publicação LGBT [coletivo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero] e de seu amigo, dias depois da de um professor universitário espancado até a morte, prova a falta de proteção proporcionada a um grupo de ativistas pacíficos no país", declarou o diretor da Anistia Internacional do Sul da Ásia, Champa Patel.

Apenas no último mês, quatro pessoas foram mortas em Bangladesh por suas opiniões liberais ou não religiosas, entre elas um ativista da internet de 26 anos conhecido por suas opiniões anti-islamitas.

Ninguém ainda foi condenado por estes crimes e apenas foram feitas algumas prisões.

No ano passado, um tribunal local condenou à morte dois estudantes pela morte em 2013 de Ahmed Rajib Haider, o primeiro de uma série de ataques contra escritores.

O grupo jihadista Estado Islâmico reivindicou uma série de mortes, entre elas a de um professor na cidade de Rajshahi, no noroeste.

Por sua parte, uma fação local da Al-Qaeda reivindicou as mortes de vários blogueiros e escritores.

O governo rejeita, no entanto, estas reivindicações e afirma que os ataques são cometidos por grupos jihadistas islamitas locais.

O primeiro-ministro Sheikh Hasina culpou a principal formação da oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) e seu aliado islamita, Jamaat e Islami, pela morte de dois ativistas gays e os acusou de querer desestabilizar o país.

A imprensa critica o governo e recorda que o Estado deveria proteger as minorias, sem levar em conta de onde são oriundos os autores dos ataques.

"Não importa se os ataques são de grupos terroristas internacionais como o EI ou da parte de redes locais, como afirma o governo", afirma o jornal Dhaka Tribune em seu editorial nesta terça.

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