El Niño afeta 60 milhões de pessoas

Genebra, 26 Abr 2016 (AFP) - Cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo precisam de ajuda por causa dos danos causados pelo fenômeno climático El Niño, mas a falta de dinheiro poderia ameaçar a entrega de alimentos, declarou nesta terça-feira a ONU.

"Os números são verdadeiramente alarmantes", afirmou à imprensa o responsável humanitário da ONU, Stephen O'Brien, em Genebra.

O El Niño é uma corrente equatorial quente do Pacífico, que resulta em um forte aumento da temperatura da superfície da água. Este fenômeno climático ocorre a cada 4 ou 5 anos e provoca tempestades e inundações em todo o mundo.

O fenômeno registrado em 2015-2016 foi um dos mais violentos e causou danos em 13 países da África, Ásia-Pacífico, América Central e América do Sul.

Além das 60 milhões de pessoas já afetadas, "milhões de outras estão em perigo", estimou em O'Brien, após uma reunião com representantes de países afetados e organizações de ajuda humanitária.

Na África, inundações e secas causaram fome que afeta cerca de 32 milhões de pessoas na parte sul do continente.

A Etiópia, que experimentou sua pior seca em 50 anos, atingiu o ápice da crise, com 10 milhões de pessoas à espera de assistência, segundo o secretário-geral da Care International, Wolfgang Jamann.

Mas fornecer ajuda aos que sofrem não é uma tarefa fácil.

A ONU estima que necessita de 3,6 bilhões de dólares para atender às necessidades criadas pelo El Niño.

"Até agora, o que foi coletado está longe de nossas necessidades. Hoje temos um déficit de mais de US$ 2,2 bilhões para entregar alimentos, água potável, medicamentos básicos e sementes para garantir que os agricultores não percam a sua próxima colheita", revelou O'Brien.

"Os programas de ajuda de emergência, tais como a distribuição de alimentos na Etiópia, correm o risco de serem interrompidos", alertou. "Temos semanas, não meses, para corrigir" a situação.

Outra ameaça paira sobre estes países, que estão apenas começando a curar as feridas deixadas pelo El Niño: o La Niña.

Fenômeno climático inverso, o La Niña aparece após um resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico.

"O nível de preparação e de resposta das comunidades já está menor devido ao impacto do El Nino", explicou a secretário-geral adjunta da agência de desenvolvimento da ONU, Izumi Nakamitsu. "Então, se El Niña chegar, as comunidades serão devastadas novamente e talvez até mais", alertou.

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