Novos bombardeios na província síria de Aleppo deixam 25 mortos

Alepo, Síria, 26 Abr 2016 (AFP) - Ao menos 25 pessoas morreram nesta terça-feira em novos bombardeios contra as zonas rebeldes da cidade de Aleppo e em outra cidade da província, na região norte da Síria, acabando com a trégua entre o regime e rebeldes.

O diretor-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que estava "profundamente preocupado" com a violência, apelando às partes a "manter a suspensão das hostilidades" para facilitar a tarefa humanitária em um país onde milhões de pessoas afetadas pela guerra precisam de ajuda.

Em Genebra, as negociações indiretas entre regime e oposição, sob os auspícios da ONU, devem ser encerradas na quarta-feira, mas nenhum progresso foi registado desde que os representantes da oposição reunidos no Alto Comitê de Negociações (HCN) suspenderam a sua participação.

Há vários dias, os bombardeios na província de Aleppo, principalmente na cidade de mesmo nome, intensificaram-se, deixando mais de uma centena de vítimas civis e marcando o fim da trégua iniciada por Estados Unidos e Rússia e em vigor desde 27 de fevereiro.

Os ataques desta terça acontecem um dia depois dos bombardeios rebeldes contra os bairros controlados pelo regime na zona oeste de Aleppo, que também deixaram 19 mortos.

Nesta terça-feira, vários civis morreram nos ataques contra os bairros rebeldes, na zona leste da cidade, dividida em duas desde julho 2012, segundo as equipes da Defesa Civil.

Cinco funcionários da Defesa Civil morreram em um ataque aéreo contra sua sede em Atareb, cidade ao oeste de Aleppo, controlada por rebeldes islamitas, anunciou organismo no Twitter.

Não estava claro se os ataques em Atareb, a 35 km de Aleppo, foram executados pela aviação síria ou por seus aliados russos.

"Os aviões bombardearam os mercados, zonas residenciais", testemunhou um socorrista.

A trégua "não existe mais", afirmou no sábado Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que se apoia em uma ampla rede de fontes em todo o país.

No total, desde sexta-feira mais de 100 civis morreram em Aleppo, onde a artilharia dos dois lados e a aviação do regime abre fogo contra os habitantes.

Para protestar contra a deterioração da situação humanitária e as violações da trégua, os representantes do HCN deixaram na semana a mesa de negociações em Genebra.

Outro grupo de oposição, tolerado pelo regime, afirmou por sua vez que os vários componentes da oposição estão unidos em uma única delegação, mesmo que não tenham as mesmas posições.

"As discussões de Genebra devem continuar, porque este é o melhor serviço que podemos prestar ao povo sírio", disse um opositor, Qadri Jamil.

A trégua até então em vigor na Síria excluía o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e a Frente Al-Nosra (ramo sírio da Al-Qaeda), que controlam vastas áreas particularmente no norte do país, na fronteira com a Turquia.

Preocupada com os ataques cada vez mais frequentes do EI em seu território, a Turquia anunciou a sua intenção de implantar baterias antimísseis em sua fronteira com a Síria, de acordo com os Estados Unidos.

O grupo jihadista, que parece enfraquecido após seguidas derrotas contra as forças do governo na Síria e no Iraque, não tem atraído tantos recrutas, de acordo com o general americano Peter Gersten.

Segundo ele, no ano passado, entre 1.500 a 2.000 combatentes estrangeiros se juntavam às fileiras do EI a cada mês, contra 200 agora.

Washington havia estimado há alguns meses o número de combatentes do EI entre 20.000 e 31.500 combatentes, mas o Departamento de Estado indicou há alguns dias que esse número caiu a seu mais baixo nível desde que começou a monitorar o grupo em 2014.

O EI, descrito pelo presidente Barack Obama como a "mais urgente ameaça" para a comunidade internacional, é o alvo da aviação da coalizão liderada pelos Estados Unidos, a do regime sírio e a da Rússia.

Desde o início da guerra na Síria, em 2011, mais de 270.000 pessoas morreram e mais da metade da população foi forçada ao exílio.

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