Centenas de detidos durante protestos no congresso de partido populista alemão

Estugarda, Alemanha, 30 Abr 2016 (AFP) - O congresso do partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que deverá aprovar seu primeiro programa, se viu perturbado neste sábado, em Stuttgart (sudoeste), pelos protestos de militantes de esquerda, que resultaram em centenas de detenções.

Centenas de pessoas contrárias ao AfD tentaram bloquear o acesso o congresso e próximo do aeroporto de Stuttgart. A polícia local deteve 400 pessoas, segundo a polícia local.

"Não à propaganda nazista" e "Ficamos com os refugiados e tiramos os nazistas!" eram alguns dos slogans dos manifestantes, que queimaram pneus e jogaram objetos contra os policiais.

A polícia usou gases lacrimogêneos para dispersar os manifestantes.

Também ocorreram confrontos entre militantes de esquerda e membros do AfD.

Mais de mil policiais antidistúrbios foram mobilizados para controlar as zonas próximas do Palácio dos Congressos.

Os distúrbios atrasaram a abertura do congresso do partido, que pretende ganhar o eleitorado com suas críticas ao Islã.

"Partido contestatário busca tema contestatário", resume o semanário Der Spiegel, descrevendo o atual paradoxo do movimento em pleno apogeu.

Depois de ter ganhado força nas eleições regionais de março e alcançado 14% das intenções de voto nas pesquisas, o jovem partido perdeu, com o fechamento das fronteiras na Europa, seu argumento favorito: a política de acolhimento de migrantes da chanceler Angela Merkel.

No entanto, na Alemanha, onde o desemprego é baixo e a confiança no governo é "mais alta que em outros lugares", o AfD só pode prosperar com "um descontentamento generalizado", explicou à AFP Timo Lochocki, especialista em direita populista do German Marshall Fund de Berlim.

O Alternativa para a Alemanha (AfD), criado na primavera de 2013, presente no Parlamento Europeu e na metade dos Parlamentos regionais do país, viu no Islã um possível catalisador, um tema que centrará os debates no sábado e no domingo em seu congresso em Stuttgart (sudoeste).

Entre as moções que votarão, figura a proibição de minaretes, "símbolos da dominação islâmica", das chamadas do muezim e do véu, "sinal político-religioso da submissão das mulheres muçulmanas aos homens".

Seus líderes já haviam declarado recentemente que o Islã é "incompatível com a Constituição", classificando-o de "ideologia política" e da "maior ameaça para a democracia e a liberdade".

Com quatro milhões de muçulmanos na Alemanha e a chegada no ano passado de um milhão de solicitantes de asilo procedentes em sua maioria de países muçulmanos, a retórica anti-islã "pode beneficiar muito o AfD" até as legislativas de 2017, considera a cientista política Nele Wissmann.

Para Timo Lochocki, "tudo dependerá" da reação dos outros partidos e dos meios de comunicação, porque o grupo "não tem poder para marcar a agenda impondo apenas seus temas favoritos".

Em geral, a condenação parece unânime e Angela Merkel ressalta há mais de um ano que "o Islã pertence à Alemanha". Mas os democratas-cristãos da chanceler estão divididos há tempos sobre o tema e seus aliados do CSU exigem, por sua vez, uma "lei sobre o Islã" que sirva para frear o avanço do AfD.

Um estudo da fundação Bertelsmann revelava no ano passado que 57% dos alemães encaram o Islã como uma ameaça e que 61% pensam que é "incompatível com o mundo ocidental", um desafio "difícil de ignorar", destacou Nele Wissmann.

Outra questão que será votada neste fim de semana envolve se é conveniente para o partido se aliar à Frente Nacional francesa no Parlamento Europeu. A ala direitista do partido, forte no leste, é favorável, enquanto a ala liberal, que domina no oeste do país, é mais reticente.

Em meio a esta disputa interna, alguns caciques do partido viram no êxito da extrema-direita austríaca no primeiro turno das presidenciais uma oportunidade para reforçar suas posições dentro do AfD, dispostos a prever um destino similar na Alemanha.

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