PGR pede investigação de senador Aécio Neves por corrupção

Brasília, 2 Mai 2016 (AFP) - A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar o ex-candidato presidencial e senador Aécio Neves, para determinar se ele se beneficiou de um esquema de corrupção na empresa Furnas, subsidiária da Eletrobras.

"O procurador-geral, Rodrigo Janot, pediu a abertura de uma investigação" sobre o senador por um caso vinculado ao esquema de corrupção na Petrobras, informou à AFP uma assessora da PGR.

O pedido para investigar Aécio decorreu da delação premiada do senador Delcídio Amaral, ex-líder do PT no Senado, que aceitou colaborar com as autoridades após passar cerca de três meses na prisão.

Delcídio foi acusado de oferecer mesada e um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que este não depusesse à justiça.

Em seu depoimento, ele contou aos investigadores que o senador Aécio "sem dúvida" se beneficiou de um esquema de propina instalado em Furnas, no qual estariam envolvidas as mesmas empreiteiras que participaram da rede de fraude e suborno que provocaram prejuízos de mais de US$ 2 bilhões na Petrobras.

No pedido de investigação contra o senador, Janot também menciona a existência de mecanismos criados para "manter e ocultar valores no exterior", mais precisamente na Suíça e no Principado de Lichtenstein.

O gabinete de Aécio Neves negou que ele tenha cometido crimes.

"As referências ao nome do senador Aécio foram todas porque 'ouviu dizer', não existe nenhuma prova ou indício de qualquer irregularidade que tenha sido cometida por ele", afirmou a assessoria de imprensa do líder opositor, em um comunicado.

"Tratam-se de temas velhos, que já foram alvo de investigações anteriores, quando foram arquivados, ou de temas que não têm nenhuma relação com o senador", acrescentou.

Janot também solicitou ao STF nesta segunda-feira autorização para investigar o atual ministro das Comunicações, Edinho Silva, acusado de cometer irregularidades quando era tesoureiro da campanha de reeleição de Dilma Rousseff, em 2014.

"Sempre atuei de forma ética, correta e dentro da legalidade. As afirmações do senador Delcídio Amaral são mentiras escandalosas", disse Edinho Silva em nota oficial.

Janot pediu ainda autorização para uma nova investigação contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por ter promovido mudanças na legislação do setor energético em seu próprio benefício.

Em sua solicitação, Janot recorda ao Supremo o pedido - ainda pendente - para o afastamento de Cunha da presidência da Câmara dos Deputados por entender que ele utiliza o cargo para interesse próprio e com fins ilícitos.

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