Moscou espera trégua 'nas próximas horas' em Aleppo

Moscou, 4 Mai 2016 (AFP) - Moscou busca um cessar-fogo "nas próximas horas" em Aleppo, a grande cidade no norte da Síria, onde novos combates e bombardeios fizeram 19 mortos, atingindo mais uma vez um centro médico.

A pedido de Reino Unido e França, o Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta quarta-feira para evocar a situação na outrora capital econômica síria.

"Aleppo arde", resumiu o embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft.

Segundo um fotógrafo da AFP no local, o setor controlado pelo governo em Aleppo viveu seu dia mais duro desde a retomada das hostilidades em 22 de abril.

Mais de 270 pessoas morreram nos últimos 12 dias na cidade, dividida em setores rebeldes e do governo.

O aumento da violência implodiu a trégua promovida por Rússia, aliada de Damasco, e pelos Estados Unidos, que apoiam a oposição, e que entrou em vigor em 27 de fevereiro.

"Aleppo é uma cidade-mártir, que está no centro da resistência ao (presidente sírio) Bashar al-Assad", enfatizou o embaixador francês François Delattre, ao comparar a localidade a Sarajevo, durante a guerra na Bósnia.

"Aleppo está em chamas e é imprescindível que nos concentremos neste assunto de máxima prioridade", afirmou o embaixador britânico Matthew Rycroft.

Alarmado com essa degradação, o enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, viajou para Moscou nesta terça-feira para se encontrar com o chanceler russo, Sergei Lavrov.

"Temos de garantir que o fim das hostilidades volte para o caminho certo", disse.

Na segunda, De Mistura se reuniu com o o secretário de Estado americano, John Kerry, e disse esperar que Rússia e Estados Unidos tentem convencer os diferentes envolvidos no conflito a restabelecer a trégua.

'Insuportável'Hoje, Kerry advertiu o presidente sírio, Bashar al-Assad, sobre as "repercussões", caso seu governo desrespeite o cessar-fogo que está sendo negociado por Washington e por Moscou.

"Não penso que a Rússia queira isto. Não penso que o regime de Assad possa desfrutar disto", declarou, antecipando "o fracasso total do fim das hostilidades e o retorno à guerra".

Ainda no plano diplomático, a Alemanha anunciou discussões na quarta-feira em Berlim com De Mistura, com o coordenador da oposição síria, Riad Hijab, e com o chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault.

"Os debates incidirão sobre a questão de como criar as condições para prosseguir com as negociações de paz em Genebra, para reduzir a violência e melhorar a situação humanitária na Síria", informou a Chancelaria alemã.

"O que acontece em Aleppo é insuportável (...) Temos de fazer tudo para que o cessar-fogo seja retomado (...) Cada dia que passa está perdido", disse Ayrault.

No terreno, os rebeldes lançaram uma grande ofensiva com violentos bombardeios contra áreas controladas pelo governo em Aleppo, onde pelo menos 16 civis foram mortos e 60 ficaram feridos, segundo a agência de notícias síria Sana.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou um saldo de 19 mortos e 80 feridos.

Maternidade atingida"Vários obuses disparados por rebeldes contra a maternidade de Al-Dabit, no bairro da Mohafaza, no centro de Aleppo, deixaram três mortos e 17 feridos, segundo um balanço preliminar", havia anunciado mais cedo a agência oficial síria.

Fotos do local atingido mostravam a fachada do centro médico em ruínas.

No total, quatro hospitais do lado rebelde e dois do lado do governo foram fortemente atingidos na mais recente onda de violência.

Nesse contexto, o Conselho de Segurança da ONU adotou nesta terça-feira, por unanimidade, uma resolução que reafirma que as instalações médicas em zonas de guerra devem ser protegidas durante conflitos armados.

O Exército sírio indicou que "os grupos terroristas" Frente al-Nusra (ramo sírio da Al-Qaeda), Ahrar al-Sham e Jaich al-Islam lançaram um "grande ataque em várias frentes após bombardeios intensos em áreas residenciais e um hospital de Aleppo".

A ofensiva rebelde começou, de acordo com um fotógrafo da AFP, com um ataque contra a sede dos serviços de Inteligência da Força Aérea em Zahra, no oeste da cidade.

A aviação e artilharia do regime responderam alvejando bairros rebeldes do leste da cidade. Os serviços de defesa civil relataram 11 mortes.

Na frente dos combates contra o grupo Estado Islâmico (EI), que controla grandes porções do território, uma série de ataques aéreos em Raqa (leste), sua fortaleza na Síria, matou 19 civis, de acordo com o OSDH.

O diretor-geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) classificou de "muito preocupante" a possibilidade de que o EI possa fabricar suas próprias armas químicas, como vários indícios estariam apontando.

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