Trump e Hillary jogam cartada final nas primárias de Indiana

Washington, 3 Mai 2016 (AFP) - Os eleitores do estado americano de Indiana votavam nesta terça-feira nas primárias dos dois partidos, com o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton apostando suas últimas cartas para obter a maioria dos delegados necessária à indicação para a disputa à Casa Branca.

As seções eleitorais abriram às 6h da manhã (7h, de Brasília), em um dia determinante para o movimento anti-Trump liderado pelo senador do Texas Ted Cruz.

"Acredito que teremos muitos eleitores (...) as pessoas estão fartas do que acontece com esses políticos e estão cansadas de ver o país sendo abusado", declarou Trump à rede FOX News nesta terça-feira.

O magnata precisa somar 235 delegados para garantir a candidatura e evitar uma difícil e imprevisível negociação na Convenção Nacional Republicana, que acontece em julho em Cleveland.

De acordo com a pesquisa NBC/Wall Street publicada no domingo, o magnata tem 49% das intenções de voto contra 34% de seu rival.

Com 57 delegados, Indiana talvez seja a última opção de Cruz. Se vencer, pode impedir Trump de alcançar os 1.237 delegados necessários para conseguir a nomeação. De acordo com uma contagem da rede CNN, o milionário tem 1.002 delegados.

Dos 57, 30 são para quem vencer a primária do estado. Os 27 restantes são distribuídos em partes iguais entre os nove condados do estado e terminam no bolso do candidato mais votado em cada um desses distritos.

Uma vitória de Trump ampliaria sua vantagem matemática, mas seria sobretudo um golpe simbólico para Cruz, o único outro candidato republicano que fez campanha neste estado.

Se Trump vencer, "pode ser o fim", considerou Rick Tryler, ex-porta-voz de Cruz, em entrevista à MSNBC.

No caso de Cruz vencer em Indiana, esse resultado prolongaria o suspense até junho, chegando às primárias da Califórnia, um estado no qual, como em Indiana, o vencedor leva a maioria dos votos.

Trump, por sua vez, espera obter o número de delegados para a nomeação antes da convenção republicana de Cleveland, em julho, quando será proclamado o candidato do partido.

Matematicamente sem chance de obter a maioria necessária, Cruz espera que Indiana sirva para conter o avanço de Trump e impedi-lo de atingir os 1.237 delegados que vão garantir a candidatura.

O senador, do movimento ultraconservador Tea Party, já antecipou que competirá "até o final", buscando um consagradora vitória na Califórnia. Nesse estado, 475 delegados estão na disputa.

'Mentiroso patológico'Trump e Cruz se atacaram mutuamente em uma frente incomum nesta terça-feira: uma nota em um tabloide que ligava o pai de Cruz ao assassino de John F. Kennedy, Lee Harvey Oswald, e que o magnata mencionou em sua entrevista à FOX News.

"Esse homem é um mentiroso patológico", reagiu Cruz em Evansville, Indiana. "É o maior narcisista. Totalmente amoral", acrescentou.

"Se Indiana não agir, este país poderá mergulhar no abismo" com Trump, advertiu.

Do lado democrata, Hillary Clinton encara um panorama ainda mais favorável. Tal é a vantagem, que Hillary pode se dar ao luxo de perder nas futuras votações.

Em Indiana, supera seu rival Bernie Sanders nas pesquisas.

Com 2.176 delegados já em sua conta, Hillary Clinton necessita apenas de 20% dos mil delegados ainda em disputa para selar sua candidatura, que exige 2.383.

Como a distribuição de cada estado é proporcional, a pré-candidata democrata soma delegados mesmo quando Sanders ganha.

Os democratas distribuem 83 delegados neste estado do norte dos Estados Unidos, cujo setor manufatureiro está passando por uma crise. Esse cenário levou Sanders a se concentrar em acordos comerciais promovidos pelo governo americano.

"Precisamos de uma política comercial que trabalhe para a classe média e favoreça as famílias que trabalham e não apenas os presidentes de grandes empresas", disse.

Hillary Clinton "tem apoiado virtualmente cada um desses acordos comerciais desastrosos", acrescentou.

O senador de Vermont ainda tem chances para aspirar a uma indicação partidária, mesmo que, em geral, a nomeação da Casa Branca seja feita por aclamação, como aconteceu em 2008 com Barack Obama.

Enquanto isso, a ex-senadora e candidata favorita democrata parecia já ter virado a página em Indiana, focada em responder aos ataques de Trump.

"Por favor, vamos nos concentrar em Hillary", afirmou Trump a uma multidão em ato na segunda-feira, acusando a ex-senadora de ser "desonesta".

"As pessoas têm jogado coisas sobre mim por 25 anos, e aqui estou: a ponto de ser a primeira mulher nomeada por um partido nacional para ser presidente", declarou Hillary Clinton em West Virginia, que vota em uma semana, rebateu.

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