Vice das Avós da Praça de Maio encara acusado por desaparecimento de filha

Buenos Aires, 5 Mai 2016 (AFP) - Rosa Roisinblit, a vice-presidente da organização Avós da Praça de Maio, encarou nesta quarta-feira Omar Graffigna, chefe da Força Aérea durante a ditadura argentina e acusado pelo desaparecimento de sua filha e o genro, em 1978.

"Estou muito contente por chegar a viver este momento", disse Rosa, 96 anos, ao final do depoimento no julgamento de Graffigna e de outros dois acusados pelo desaparecimento de sua filha.

Rosa Roisinblit destacou que esperou durante toda a vida para poder presenciar o julgamento do responsável pelo desaparecimento de Patricia Julia Roisinblit e do marido da jovem, José Manuel Pérez Rojo.

O casal foi levado para um centro clandestino de detenção que funcionava na Regional de Inteligência de Buenos Aires (RIBA), em Morón (periferia oeste), sob a autoridade da Força Aérea.

Além de Graffigna, 90 anos, estão sendo julgados Luis Trillo, que dirigiu a RIBA, e Francisco Gómez, ex-membro civil de Inteligência da Regional.

A filha do casal, Mariana, que tinha 15 meses na época, também foi sequestrada, mas os militares devolveram a criança à casa dos pais de Pérez Rojo.

"Quando ocorreu a operação na qual fui sequestrada com meus pais tinha apenas 15 meses. Não lembro nada, minhas primeiras recordações são do que me disseram meus avós", revelou Mariana no tribunal.

"Encontrar meu irmão era o objetivo da minha vida", declarou Mariana.

Patricia estava grávida de 8 meses quando foi sequestrada e deu à luz na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), ao norte de Buenos Aires, onde funcionava uma maternidade clandestina, antes de regressar a Morón com seu bebê, posteriormente roubado.

O bebê, entregue a Francisco Gómez e sua mulher, foi descoberto pelas Avós da Praça de Maio e recuperou sua identidade em 2000, como Guillermo Pérez Roisinblit, hoje presente no tribunal.

Gómez foi condenado em 2005 pelo roubo do bebê de Patricia.

Graffigna, que integrou a segunda junta militar de governo, entre 1979 e 1981, foi absolvido no histórico Julgamento das Juntas, em 1985, no qual acabaram condenados à prisão perpétua o ex-ditador Jorge Videla e o ex-comandante da Marinha Emilio Massera.

Em 2013, Graffigna foi detido pelo desaparecimento de Pérez Rojo e Roinsinblit em 1978, quando era chefe do Estado-Maior da Força Aérea.

Ao menos 30 mil pessoas desapareceram durante a ditadura argentina, segundo organismos humanitários.

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