Israel volta a bombardear posições do Hamas na Faixa de Gaza

Jerusalém, 5 Mai 2016 (AFP) - O exército de Israel bombardeou nesta quinta-feira posições do movimento islamita palestino Hamas ao sul e ao norte da Faixa de Gaza, um território palestino que registra um aumento da tensão desde quarta-feira.

Também nesta quinta-feira, o exército israelense anunciou a descoberta de um novo túnel do Hamas entre Gaza e Israel, o segundo no espaço de algumas semanas nas fronteiras do território palestino.

O porta-voz do exército, Peter Lerner, disse a repórteres que não havia dúvida de que este túnel, descoberto na quinta de manhã na Faixa de Gaza e com entre 28 ou 29 metros de profundidade, serviria ao Hamas para realizar ataques contra o território israelense.

"Em resposta aos ataques em curso contra as tropas israelenses, um aparelho da Força Aérea de Israel atacou durante a madrugada quatro sítios terroristas do Hamas no norte da Faixa de Gaza", afirma um comunicado militar.

Na parte da tarde, o exército informou sobre novos bombardeios contra quatro posições do Hamas no sul da Faixa de Gaza.

De acordo com fontes médicas, quatro pessoas da mesma família, três crianças e um homem de 65 anos, foram hospitalizadas com ferimentos leves e médios após um bombardeio no bairro de Al Zeytun, sudeste da cidade de Gaza.

O bombardeio tinha como alvo uma oficina mecânica, informou à AFP o dono do local, Hasan Hasanen. Ele disse que seus veículos não são utilizados pelo Hamas, servem apenas para "trabalhos imobiliários e de construção.

O exército israelense afirmou que apenas o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, foi alvo dos ataques. Mas o ministério do Interior do grupo islamita informou que dois mísseis atingiram uma base de treinamento do Al-Quds, o braço armado da Jihad Islâmica, a segunda força islamista nos territórios palestinos, ao norte da Faixa Gaza, provocando danos, mas não feridos.

Aparelhos israelenses já haviam atacado, na quarta-feira, cinco posições do Hamas no sul da Faixa de Gaza, após confrontos na fronteira entre o território palestino e Israel, cenário de três guerras entre 2008 e 2014.

Os primeiros incidentes foram registrados na terça-feira, com disparos contra um grupo de soldados israelenses, e se tornaram mais graves na quarta-feira. A resposta israelense começou com disparos de tanques, antes dos ataques aéreos.

O setor israelense ao redor de Nahal Oz foi declarado "zona militar fechada pela primeira vez desde a guerra de 2014.

Os incidentes são os mais graves registrados desde o cessar-fogo iniciado há quase dois anos entre Israel e os grupos armados palestinos.

Israelenses e palestinos se enfrentaram em julho e agosto de 2014 na mais longa e devastadora das três guerras na Faixa de Gaza desde 2008.

Esta guerra provocou a morte de 2.251 pessoas, em sua grande maioria civis, do lado palestino, segundo a ONU, e 73, incluindo 67 soldados, do lado israelense.

O cessar-fogo foi violado de forma esporádica com disparos de foguetes de Gaza para Israel, atribuídos a grupos armados que rejeitam a autoridade do Hamas.

Israel responde aos disparos com ataques contra as posições do Hamas, grupo que considera responsável pela segurança no território que controla desde 2007.

Desta vez, o exército israelense acusa diretamente o Hamas.

Nos últimos dias, "o Hamas realizou disparos de morteiro e de foguetes contra tropas israelenses" operando ao longo da barreira de segurança entre Israel e a Faixa de Gaza, informou um oficial hebreu.

As atividades israelenses têm um caráter "defensivo", já que buscam proteger Israel de incursões palestinas, destacou o Exército hebreu.

Concretamente, o objetivo das forças israelenses é localizar e destruir os túneis que o Hamas utiliza para realizar ataques contra comunidades de civis israelenses próximas à fronteira.

"O Exército israelense não tolera e nem tolerará nada que suponha uma ameaça à vida dos habitantes do sul de Israel, e está determinado a desbaratar qualquer tentativa neste sentido".

Sami Abou Zouhri, porta-voz do Hamas em Gaza, fez um apelo para que "todas as partes envolvidas assumam suas responsabilidades para deter a ofensiva", em referência ao Egito, mediador das negociações de trégua em 2014.

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