Difícil unidade republicana em torno de Donald Trump

Washington, 6 Mai 2016 (AFP) - O multimilionário Donald Trump agora está sozinho na corrida para integrar a chapa republicana à Casa Branca, mas sua campanha dividiu de tal forma os conservadores que inclusive o presidente da Câmara Baixa, Paul Ryan, nega-se até o momento a conceder seu apoio.

"Para ser totalmente honesto com você, não estou pronto para fazer isso ainda", disse Ryan à CNN na quinta-feira, em uma declaração inesperada para um dirigente de alto escalão do Partido Republicano, ao ser interrogado sobre se daria apoio a Trump.

Trump praticamente conquistou a investidura republicana após o abandono de seus dois últimos rivais, Ted Cruz e John Kasich, mas sua vitória está longe de ser aceita nas fileiras partidárias.

Para iniciar a batalha contra Hillary Clinton, eventual candidata democrata, Trump deverá curar feridas e Ryan condicionou seu apoio a que o candidato demonstre sua capacidade "para unificar o partido e depois seduzir os americanos, não importa de que origem, e uma maioria de independentes".

"Provavelmente no futuro possamos trabalhar juntos e alcançar um acordo sobre o que é melhor para o povo americano", reagiu Trump em um comunicado. Mas "não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan", advertiu.

Além de Ryan, muitos republicanos - tanto moderados quanto conservadores - se negam a se alinhar a Trump, o que pode ser um problema se não derem seu apoio nas urnas em novembro.

A dinastia Bush, a família republicana mais proeminente dos Estados Unidos, que havia apoiado todos os candidatos republicanos nas cinco últimas eleições presidenciais, declinou em apoiar a candidatura de Trump.

No entanto, alguns ex-opositores republicanos mudaram de ideia, como o ex-governador da Louisiana Bobby Jindal, que no ano passado chamou Trump de narcisista egocêntrico e agora anunciou que o apoiaria.

O candidato multimilionário, de 69 anos, recebeu, apesar de tudo, o apoio do líder republicano do Senado, Mitch McConnell, que estimou na quarta-feira que a prioridade é "impedir o que de fato seria um terceiro mandato de Barack Obama".

Mas outros republicanos não pensam em permanecer passivos e prometem resistir até o fim a Donald Trump, inclusive votando em Hillary.

"Estou com ela""O Partido Republicano vai indicar uma pessoa que lê o (tabloide investigativo) National Enquirer e acredita que está em seu nível", escreveu por exemplo Mark Salter, ex-conselheiro do senador John McCain, em um tuíte muito divulgado. "Eu estou com ela", acrescentou, adotando o slogan característico dos partidários de Hillary.

Desde terça-feira, os republicanos invadem a rede social Twitter jurando não votar jamais em Trump, alguns queimando seu cartão eleitoral, como fez Lachlan Markay, um jornalista conservador.

"Eu me apaguei oficialmente como republicano", anunciou Philip Klein, chefe de redação da revista conservadora Washington Examiner.

Erick Erickson, um influente autor conservador, criticou Trump na quarta-feira por "ter apoiado nacionalistas brancos e encorajadores do racismo".

Também criticou o partido por não ter conseguido impor um limite às declarações intolerantes do candidato. "Por que o Partido Republicano não disse que isso era inaceitável?", escreveu o site The Resurgent, declarando que não ajudará os eleitores a "cometer um suicídio nacional".

DilemaO Partido Republicano se encontra, consequentemente, em meio ao dilema de ter que apoiar seus representantes à eleição presidencial e ao mesmo tempo apaziguar o movimento "Tudo menos Trump".

A publicação The Hill entrevistou uma centena de personalidades republicanas que se comprometeram publicamente a não votar em Trump, entre elas os senadores Lindsey Graham e Ben Sasse, ou o representante Justin Amash e Mitt Romney, candidato à presidencial de 2012 derrotado por Barack Obama.

Ben Sasse se declarou na quarta-feira aberto à possibilidade de outro candidato que represente os valores conservadores nas eleições de novembro.

O movimento "NeverTrump" (Jamais Trump) advertiu que continuará mobilizado, principalmente para ajudar os candidatos republicanos ao Congresso que quiserem se diferenciar do multimilionário na imagem dos eleitores.

Se Trump suavizar realmente o tom para se converter - como disse - em um candidato "mais presidenciável", é provável que uma parte dos republicanos céticos voltem a apoiá-lo nos próximos seis meses, mas alguns dizem ter se afastado definitivamente.

"Votarei sem dúvida em Gary Johnson", o candidato do Partido Libertário, explicou o consultor conservador Brad Marston. "Já não encontro meu lugar no Partido Republicano atual", disse.

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