Escolas do Japão são locais de ódio contra minorias sexuais, diz HRW

Tóquio, 6 Mai 2016 (AFP) - As minorias sexuais são alvo constante de declarações de ódio nas escolas japonesas, às vezes por parte dos próprios professores, denunciou nesta sexta-feira a organização Human Rights Watch (HRW) em um relatório.

"A retórica de ódio anti-LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgênero) é praticamente onipresente nas escolas japonesas, confinando os alunos LGBT no silêncio, no ódio em relação a si mesmos e em alguns casos na violência em relação a si mesmos", afirmou a organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova York.

O estudo se baseia em entrevistas com dezenas de alunos de minorias sexuais, assim como com professores que frequentemente são, segundo a ONG, um elemento chave do problema.

"A ausência de informação associada aos comentários de ódio generalizados tanto entre os alunos quanto entre os professores faz com que estas crianças sintam vergonha e asco", prossegue o documento.

Quase todas as pessoas questionadas "dizem ter ouvido comentários anti-LGBT em seu estabelecimento, como 'asqueroso', 'homo' ou coisas como que 'estas criaturas não deveriam ter nascido nunca'", afirma o documento da HRW.

A ONG destaca que esta discriminação não é exclusiva do Japão, mas que o arquipélago está em bem atrás no ranking de direitos dos homossexuais em comparação com os Estados Unidos ou outros países ocidentais.

No entanto, foi constatada uma melhor aceitação das pessoas homossexuais, bissexuais ou transgênero no país nos últimos anos, acrescenta.

Segundo Kyle Knight, um dos autores do documento, é crucial trabalhar com os professores e incluir questões relacionadas às minorias nos programas escolares.

"O mais importante (...) é dar aos professores informações apropriadas para que os temas que envolvem as pessoas LGBT sejam incluídos nos planos de estudo", disse durante uma coletiva de imprensa em Tóquio.

Segundo a HRW, a perseguição é um fenômeno disseminado e às vezes muito violento nas escolas japonesas, mas as políticas governamentais para combatê-lo não tratam especificamente a questão dos alunos LGBT, que são os mais vulneráveis.

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