Francisco, como Luther King, enumera sonhos para uma nova Europa

Cidade do Vaticano, 6 Mai 2016 (AFP) - Em um discurso eloquente nesta sexta-feira às autoridades europeias que concederam a ele o Prêmio Carlos Magno, o papa Francisco se inspirou em Martin Luther King para listar seus sonhos para uma nova Europa.

"Eu sonho com uma Europa jovem, que ainda pode ser mãe: uma mãe que tenha vida, porque respeita a vida e oferece a esperança de vida", exclamou o Papa, assim como Luther King em 1963, em uma histórica manifestação em favor dos direitos dos negros nos Estados Unidos.

"Eu sonho com uma Europa que cuida da criança, que como um irmão socorre os pobres e aqueles que vêm em busca de acolhida, porque já não têm nada e buscam refúgio", continuou o pontífice.

"Eu sonho com uma Europa que ouve e valoriza os doentes e os idosos, para que não sejam reduzidos a objetos improdutivos e descartáveis", declarou ao pedir em favor dos mais pobres e esquecidos.

"Sonho com uma Europa em que ser um imigrante não é um crime, mas um convite a um maior compromisso com a dignidade de cada ser humano", reiterou, como fez em várias ocasiões, ante os migrantes que procuram uma nova vida no velho continente.

"Eu sonho com uma Europa onde os jovens respiram o ar limpo da honestidade, amem a beleza da cultura e de uma vida simples, não contaminada pelas necessidades infinitas do consumismo, onde o casar e ter filhos seja uma responsabilidade e uma grande alegria e não um problema por causa da falta de trabalho suficientemente estável", explicou ao falar da família.

"Sonho com uma Europa das famílias, com políticas realmente eficazes, com foco nos rostos em vez de números, no nascimento de crianças em vez de no aumento dos bens", proclamou Francisco após pedir pela busca de "novos modelos econômicos, mais inclusivos e equitativos".

"Sonho com uma Europa que promova e proteja os direitos de todos, sem esquecer os deveres para com todos", disse ele.

"Eu sonho com uma Europa da qual não se possa dizer que o seu compromisso com os direitos humanos foi a sua última utopia", concluiu.

Francisco, que muitas vezes em seus discursos cita escritores e poetas do século XX, desta vez fez uma referência implícita ao famoso discurso de Luther King, "I Have a Dream", considerado um dos melhores da história.

O reverendo americano foi assassinado alguns anos mais tarde, em 4 de abril de 1968, aos 39 anos de idade.

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