Indignação mundial após bombardeio contra campo de refugiados na Síria

Alepo, Síria, 6 Mai 2016 (AFP) - A comunidade internacional expressou indignação com os bombardeios que mataram cerca de 30 pessoas na quinta-feira em um campo de refugiados do norte da Síria, considerados "crime de guerra" pela ONU, enquanto Moscou e Damasco negaram a responsabilidade, acusando os rebeldes e jihadistas.

Na quinta-feira à noite, 28 civis, incluindo crianças, morreram em ataques contra um campo de deslocados que fugiam dos combates na província de Idleb (noroeste).

Até o momento não foi possível determinar quem está por trás dos bombardeios, perto da cidade de Sarmada, na fronteira com a Turquia. Aviões do regime, da Rússia e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos sobrevoam a Síria.

O governo negou qualquer envolvimento. O exército sírio chegou a afirmar que os rebeldes atacaram recentemente "alvos civis" para depois acusar o governo de Damasco. Os insurgentes, no entanto, não dispõem de aviões.

A Rússia também negou que qualquer avião do país ou da Síria tenha sobrevoado na quinta-feira a região do campo de refugiados.

"Nenhum avião russo ou qualquer outro sobrevoou a área", afirmou o porta-voz do ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov, antes de destacar que o campo de deslocados poderia ter sido alvo de um ataque "premeditado ou acidental de artilharia" dos jihadistas da Frente Al-Nosra.

Os rebeldes sírios acusam a aviação do regime de Damasco de ser responsável pelo bombardeio.

Os vídeos divulgados na internet por militantes - apresentados como imagens da tragédia - mostram barracas azuis destruídas, em chamas, em meio a gritos de adultos e choro de crianças.

- 'Que Deus os amaldiçoe' -"Que Deus os amaldiçoe", grita uma pessoa em um dos vídeos.

"Onde estão as ONGs?", questiona outro.

Muitos voluntários correram para tentar apagar as chamas no campo devastado. Nas imagens também é possível observar os feridos, incluindo muitas mulheres, gritando de dor.

Em outro vídeo, equipes de emergência colocam cobertores sobre os corpos carbonizados. Várias vítimas perderam membros e as cenas são fortes.

"Os bombardeios são um crime de guerra", anunciou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

"Estes acampamentos de barracas estão instalados nesta área há várias semanas e podem ser observados com facilidade. É extremamente improvável que os ataques tenham sido acidentais. É muito mais provável que tenham sido deliberados e constituam um crime de guerra", afirmou Zeid Ra'ad Al Hussein em um comunicado.

A diplomacia britânica se declarou "horrorizada" com o ataque, que atribuiu ao regime de Assad.

Stephen O'Brien, secretário da ONU para Assuntos Humanitários, concordou que o ataque "pode constituir um crime de guerra" e pediu uma investigação imediata.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse "escandalizado" com o bombardeio, considerando que os responsáveis "devem prestar contas".

A União Europeia chamou o ataque de "inaceitável" e o governo dos Estados Unidos afirmou que, embora não esteja confirmada a autoria do regime sírio no bombardeio, este corresponde "totalmente" a suas operações anteriores.

No terreno, ao menos 73 pessoas morreram nas últimas 24 horas em uma batalha entre as forças do regime de Bashar al-Assad e a Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, em uma área ao sul de Aleppo, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Além disso, forças de segurança sírias lançaram um ataque contra uma prisão na cidade central de Hama para acabar com um motim que envolve cerca de 800 internos, informou um grupo de monitoramento.

"Eles lançaram granadas de gás lacrimogêneo dentro da prisão após prenderem os familiares dos prisioneiros reunidos do lado de fora do prédio preocupados por seus destinos", informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Imagens de vídeo postadas nas redes sociais mostraram um corredor repleto de chamas e fumaça enquanto uma voz é ouvida dando a data de 6 de maio e a localização como a prisão central em Hama.

A guerra na Síria, que desde 2011 provocou mais de 270.000 morte, forçou milhões de pessoas a fugir, o que provocou uma tragédia humanitário que tem consequências inclusive na Europa.

Enquanto o conflito continua sem dar sinais de relaxamento, a Rússia e o Catar, que se opõem em relação à questão síria, pregaram nesta sexta-feira uma solução política para o conflito.

Por ocasião de um encontro às margens do Mar Negro com o presidente russo Vladimir Putin, o ministro das Relações Exteriores do Catar assegurou que deseja "salvar o processo político" em um país devastado por mais de cinco anos de guerra.

bur-ram/fp/mr

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