Manifestação recorde em Varsóvia de 240.000 pessoas contra o governo

Varsóvia, 7 Mai 2016 (AFP) - Uma das maiores manifestações organizadas na Polônia desde a queda do comunismo reuniu, neste sábado, mais de 240.000 pessoas em Varsóvia, "para preservar o lugar da Polônia na Europa", ameaçado, segundo os manifestantes, pela política dos conservadores no poder.

Organizada sob o lema "Somos e permaneceremos na Europa" e convocada pelo Comitê de Defesa da Democracia KOD, uma iniciativa cívica, a manifestação ocorreu pacificamente sob um sol de verão.

Embora defenda sua ligação com a União Europeia, fonte de substanciais subsídios desde a adesão da Polônia em 2004, o governo do partido do Direito e da Justiça (PiS), da primeira-ministra Beata Szydlo, tem recebido muitas críticas das instituições europeias por causa de suas reformas controversas, incluindo as relacionadas ao Tribunal Constitucional e aos meios de comunicação.

A Comissão Europeia iniciou contra Varsóvia um procedimento sem precedentes para verificar o estado de direito na Polônia, enquanto a Comissão de Veneza, órgão consultivo do Conselho da Europa, exigiu das autoridades respeito às decisões do Tribunal Constitucional.

A maioria dos partidos da oposição, incluindo a Plataforma Cívica (PO, liberal), Nowoczesna (liberal), Partido Camponês (PSL), o Partido Social Democrata (SLD) e os ambientalistas participaram da manifestação deste sábado.

Reunidos em frente à sede do governo, os manifestantes acenavam bandeiras nacionais e europeias e faixas com slogans pró-europeus. Eles cantaram o hino nacional e gritaram "Vamos defender a democracia e a Constituição."

"Estamos aqui para lutar pela liberdade na Polônia, pela democracia", declarou o ex-presidente Bronislaw Komorowski.

"Maidan polonês" ?"Muitas pessoas acreditam que este movimento vai acabar em um Maidan polonês. Espero que não cheguemos a esse ponto", disse à AFP uma manifestante, Danuta Grzymkowska, em referência à praça de Kiev onde ocorreram grandes manifestações contra o governo ucraniano e que resultaram na queda do regime e no atual conflito no país.

"As pessoas que deveriam representar os poloneses representam apenas os interesses de um único partido", acrescentou Rafal Zagorowski. "Eles se comportam como o Partido Bolchevique na Rússia Soviética (...) Eu tenho medo de que Kaczynski (Jaroslaw Kaczynski, presidente do partido Direito e Justiça) nos leve ao confronto".

Uma segunda manifestação organizada pelo movimento nacionalista reuniu entre 2.500 e 4.000 pessoas contra a presença da Polônia na UE e "os mandos de Bruxelas".

Ambas as marchas coincidiram com a tradicional "parada Schuman", organizada por ocasião do Dia da Europa.

Jaroslaw Kaczynski, considerado pela classe política o principal autor da política adotada pelo governo, minimizou, como de costume, a importância da manifestação.

"Não é um grande problema", comentou na internet. "Os protestos são o resultado do descontentamento dos resultados das eleições" presidenciais e legislativas, vencidas por seu partido, argumentou.

Ele também reiterou a recusa em receber refugiados na Polónia. "Após os recentes acontecimentos vinculados a atos terroristas, nós não receberemos refugiados porque não há nenhum mecanismo que possa garantir a nossa segurança", disse ele.

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