Quarto dia de hostilidades na Faixa de Gaza

Gaza, Territórios palestinos, 7 Mai 2016 (AFP) - Os habitantes de Gaza amanheceram novamente neste sábado com os sons de explosões neste enclave, onde o exército israelense e grupos armados palestinos se enfrentam há quatro dias, embora os dois grupos digam querer evitar uma escalada militar.

Embora os confrontos já tenham deixado um morto, uma palestina de 54 anos abatida na quinta-feira por disparos de um tanque israelense, os especialistas concordam que nenhuma das partes deseja uma nova guerra.

Na sexta-feira, Ismail Haniyeh, chefe do movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza, afirmou que "não convocam" uma nova guerra e que há uma mediação em andamento, com o apoio do Egito, que auspiciou o último cessar-fogo em 2014.

Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra sob pressão diante da iminente publicação de uma auditoria sobre sua atuação nesta última guerra, um documento que, segundo a imprensa, é muito desfavorável a ele.

Apesar de insistir que não desejam uma escalada militar, os dois grupos se reservam o direito de réplica. Haniyeh, cujo movimento islamita conta com um braço armado de 20.000 a 30.000 homens, advertiu que responderá a qualquer incursão de tropas israelenses na Faixa de Gaza.

E o exército israelense, embora afirme que não tem "nenhum interesse em uma escalada militar", diz estar determinado a combater "o plano diabólico do Hamas de querer se infiltrar nas comunidades israelenses".

Os túneis, centro do conflitoO exército israelense, em busca de túneis que sirvam aos combatentes palestinos para se infiltrarem em Israel, mobilizou impressionantes perfuradoras ao longo da fronteira com Gaza, e realiza escavações em uma faixa de 100 metros ao longo de sua fronteira com o território de Gaza.

As autoridades militares já anunciaram a descoberta de dois túneis, que foram inutilizados. Erradicar esta rede subterrânea era o principal objetivo de Israel durante a guerra de 2014, e o fracasso nesta ação é um dos pontos sobre os quais o controlador do Estado se pronunciará neste sábado.

Em Gaza, onde milhares de famílias seguem sem poder reconstruir suas casas depois de três guerras que devastaram o enclave palestino desde 2008, o ambiente era febril: os habitantes armazenavam alimentos e tentavam enfrentar um novo período difícil neste pequeno território submetido a penúrias de forma crônica pelo bloqueio israelense que já dura uma década.

Na noite de sexta-feira, um novo drama ilustrava os riscos das precárias instalações no enclave, que sofre contínuos cortes de água e eletricidade, que podem durar até 18 horas por dia: no campo de refugiados de Chati, três crianças de quatro a seis anos, morreram quando a vela que utilizavam para iluminar sua casa provocou um incêndio, segundo fontes médicas e bombeiros de Gaza.

Às dificuldades da vida cotidiana se soma agora o medo dos bombardeios aéreos israelenses, cotidianos desde quarta-feira e que voltaram a ocorrer no amanhecer deste sábado.

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