Coreia do Norte garante que só utilizará arma nuclear em caso de ataque

Pyongyang, 8 Mai 2016 (AFP) - Pyongyang utilizará suas armas nucleares apenas em caso de ataque por uma potência nuclear, garantiu Kim Jong-Un durante o congresso de seu partido, enquanto desejou melhorar as relações com as nações que um dia foram "hostis".

Diante de milhares de delegados reunidos para o primeiro congresso em 36 anos do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC), o líder norte-coreano também anunciou no sábado um novo plano de cinco anos para impulsionar a economia, prometendo que seu país "vai cumprir fielmente" seus compromissos com a não-proliferação de armas atômicas.

Estas declarações, publicadas neste domingo pela imprensa oficial, ocorrem num momento de preocupação quanto aos riscos de Pyongyang se preparar para um quinto teste nuclear.

Kim abriu a conferência na sexta-feira comemorando o teste nuclear "histórico" realizado em janeiro, sinal do "poder ilimitado" de seu país. A Coreia do Norte afirma que se tratou do primeiro teste de uma bomba de hidrogênio, o que os especialistas duvidam por causa da energia liberada pela explosão.

Diante das preocupações da comunidade internacional, o jovem líder procurou no sábado apresentar uma imagem de "responsável".

"Como uma potência nuclear responsável, nossa república utilizará uma arma nuclear apenas se a sua soberania for violada por forças hostis e agressivas com bombas atômicas", afirmou, de acordo com a agência de notícias oficial KCNA.

Doutrina volátilA Coreia do Norte retirou-se em 2003 do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, que obriga os Estados a "negociar de boa fé medidas relacionadas com o desarmamento nuclear".

A doutrina da Coreia do Norte sobre o uso de seu arsenal nuclear sempre foi volátil.

Em seu primeiro teste nuclear, em 2006, o Norte havia dito que nunca usaria armas nucleares. No entanto, lança habitualmente ameaças de ataques nucleares contra Seul e Washington.

Nos últimos anos, Pyongyang concentrou-se no desenvolvimento de armas táticas, multiplicando os testes, cada vez mais bem-sucedidos.

A televisão estatal exibiu apenas neste domingo o discurso de Kim diante do partido único.

O líder norte-coreano também indicou que o seu país procurará melhorar e normalizar as relações com os países amigos, mesmo aqueles que "foram hostis no passado".

Autoridades americanas e norte-coreanas participaram nos últimos anos de reuniões informais. No entanto, jamais chegaram a uma retomada de um diálogo substantivo.

A Guerra da Coreia (1950-1953) terminou com um armistício que nunca resultou em um tratado de paz, o que significa que Seul e Pyongyang estão tecnicamente em guerra.

Neste ponto, Kim não disse nada que pudesse sugerir que o seu país estaria disposto a abandonar seus programas nucleares proibidos, destacando a importância da dissuasão nuclear para o seu regime.

No plano econômico, Kim anunciou um plano de cinco anos para melhorar a eficiência e produção de sectores-chave, incluindo o energético.

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