Parlamento grego aprova controversa reforma das aposentadorias

Atenas, 9 Mai 2016 (AFP) - Em meio a manifestações convocadas por sindicatos e a poucas horas de uma reunião do Eurogrupo, o Parlamento grego aprovou neste domingo à noite uma controversa reforma das aposentadorias, exigida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, credores da dívida grega.

A reforma contou apenas com os votos favoráveis da maioria do governo, formada pelo Syriza e pelo partido nacionalista Anel, representados por 153 dos 296 deputados presentes.

Todos os partidos da oposição, entre eles o de direita Nova Democracia, votaram contra o texto, contestado por sindicatos.

Os parlamentares debateram a reforma das aposentadorias desde sábado. Sua adoção tratou-se de uma exigência dos credores do país em troca do plano de ajuda pactuado em julho do ano passado. A proposta gerou mobilização sindical e vários protestos desde sexta-feira.

O governo de esquerda de Alexis Tsipras, que conseguiu manter a coesão de sua maioria parlamentar, tentou aprovar o projeto de lei antes da decisiva reunião do Eurogrupo em Bruxelas, na segunda-feira, que deverá avaliar as reformas realizadas por Atenas.

Isso poderá ajudar que a reunião dos ministros da Economia da zona do euro conclua a primeira avaliação da implementação do plano de resgate e inicie o espinhoso debate sobre a dívida grega.

A reforma das aposentadorias prevê cortes nas aposentadorias mais altas, o aumento das contribuições e a instauração de uma aposentadoria nacional de 384 euros para quem tenha trabalhado 20 anos.

- 'Um dia muito importante' -A Grécia "praticamente alcançou" as metas das reformas exigidas por seus credores, e o Eurogrupo iniciará, na segunda-feira, "as primeiras negociações" sobre a dívida do país, informou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker em uma entrevista na Alemanha.

Tsipras comemorou que a questão da dívida esteja na ordem do dia. "Amanhã será um dia muito importante. Após seis anos [de crise], o Eurogrupo se reunirá para discutir a redução da dívida", ressaltou diante do Parlamento neste domingo, pouco antes da votação.

"O sistema de aposentadorias precisava de uma reforma profunda que os governos anteriores não se atreveram a implementar", acrescentou o primeiro-ministro.

Seu principal rival político, Kyriakos Mitsotakis, líder do Nova Democracia, acusou o governo de "incapaz" e o responsabilizou pelo "atraso" nas negociações com os credores.

A votação da lei gerou a mobilização dos sindicatos, que convocaram uma greve-geral de 48 horas na última sexta-feira que afetou sobretudo o transporte público. Os barcos devem continuar em greve até a terça-feira.

Cerca de 26.000 pessoas, segundo a polícia, saíram as ruas neste domingo em Atenas e Tessalônica (norte) para protestar. Nos arredores do Parlamento, foram registrados incidentes na praça Syntagma entre grupos de jovens e policiais.

No final da manhã de hoje, cerca de 15.000 pessoas tinham protestado nas duas cidades, a grande maioria simpatizante da Frente de Luta dos Trabalhadores, próximo ao partido comunista.

A mobilização foi, entretanto, menor do que o último grande protesto contra essa reforma, no dia 4 de fevereiro, quando 50.000 pessoas foram às ruas Grécia, especialmente em Atenas.

"As pessoas estão cansadas e decepcionadas com o governo de esquerda no poder (...), as manifestações não tiveram a repercussão que esperávamos", lamentou à AFP Maria K., que participou do protesto deste domingo.

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