Protestos na Grécia antes de votação parlamentar da reforma das aposentadorias

Atenas, 8 Mai 2016 (AFP) - O Parlamento grego discute neste domingo sobre uma polêmica reforma das aposentadorias exigida pelos credores UE e FMI, em meio a protestos convocados pelos sindicatos e na véspera de uma reunião do Eurogrupo sobre a Grécia.

Em Atenas, onde milhares de pessoas protestaram pela manhã e à tarde, houve incidentes em frente ao Parlamento e a polícia utilizou gases lacrimogêneos contra manifestantes, que lançaram rojoões contra as forças antidistúrbios.

Segundo a imprensa local, jovens encapuzados jogaram coquetéis Molotov durante a manifestação organizada pelos sindicatos, à qual compareceram aproximadamente 10.000 pessoas.

Segundo imagens transmitidas por vários meios de comunicação, jovens mascarados lançaram coquetéis Molotov durante esta manifestação organizada a pedido dos sindicatos e que reuniu mais de 10.000 pessoas. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, dispersando a multidão.

O controverso projeto de lei pretende aumentar as contribuições para as aposentadorias e elevar os impostos, exigências feitas pela UE e pelo FMI, credores da dívida grega, em troca do empréstimo outorgado no ano passado.

O governo quer que essas medidas sejam votadas antes da reunião decisiva que acontecerá nesta segunda-feira em Bruxelas com os ministros das Finanças da zona do euro que devem avaliar as reformas realizadas por Atenas.

"Basta de massacrar a previdência social", "Parem a monstruosa reforma", "Não à dissolução do sistema de aposentadorias", diziam os cartazes dos manifestantes.

"Somos contra essas medidas que subestimam nossa inteligência. Nós não somos marionetes, somos cidadãos de um país democrático", disse à AFP Eleni Karayianni, funcionária pública que tem sofrido com os vários cortes salariais desde o início da crise em 2010.

O sindicato público Adedy convocou uma manifestação diante do Parlamento, na noite de domingo, horas antes da votação prevista sobre a reforma, considerada um "saque" pelos sindicatos.

O projeto de lei para reformar o sistema de aposentadorias e aumentar os impostos, exigido pelos credores do país - a UE e o FMI - em troca de um novo plano de resgate assinado em julho, está sendo debatido no Parlamento desde sábado e será submetido a votação na noite deste domingo.

O governo de esquerda de Alexis Tsipras, que dispõe de uma maioria parlamentar mínima, com 153 deputados de 300, espera que, ao organizar a votação no fim de semana, em plenas férias de Páscoa, a reforma seja aprovada antes da reunião do Eurogrupo de segunda-feira.

Isso pode ajudar os 19 ministros das Finanças da zona do euro a concluírem a primeira avaliação da implementação do plano de resgate e iniciarem o espinhoso debate sobre a dívida grega.

A reforma das aposentadorias prevê cortes das aposentadorias mais elevadas, a fusão de várias caixas, o aumento das cotações e a instauração de uma aposentadoria nacional de 384 euros para os que tiverem trabalhado 20 anos.

Durante a greve de 48 horas, convocada pelos sindicatos, a quarta desde a chegada ao governo de Tsipras, em janeiro de 2015, nenhum transporte público funcionou no país na sexta-feira e no sábado.

"Cansada e decepcionada"Apenas os deputados da coalizão governamental - do Syriza e do partido soberanista Anel - estão dispostos a votar a favor deste projeto. Os partidos da oposição, entre eles a formação conservadora Nova Democracia, indicaram que votariam contra o projeto de lei.

"As pessoas estão cansadas e decepcionadas com o governo de esquerda no poder (...), as manifestações não tiveram a repercussão que esperávamos", lamentou à AFP Maria K., que participou do protesto deste domingo.

A reforma das aposentadorias é indispensável para "garantir a viabilidade do sistema para a segurança social" e bloquear o déficit dos planos de aposentadorias, indicou por sua vez o ministro do Trabalho, Georges Katrougalos, impulsionador desta tarefa.

Para Panayiotis Petrakis, professor de Economia na universidade de Atenas, as mobilizações não ameaçam a aprovação da lei: "A reforma será adotada e conseguir este voto antes do Eurogrupo é uma boa decisão", disse à AFP.

Mas "a distância entre Atenas e os credores, que exigem medidas adicionais de 3,6 bilhões de euros, continua sendo importante", advertiu.

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