Filipinas: candidato polêmico muito próximo da vitória na eleição presidencial

Manila, 9 Mai 2016 (AFP) - O candidato à presidência Rodrigo Duterte, que fez uma campanha repleta de provocações, com a promessa de exterminar milhares de criminosos, é o virtual vencedor das eleições de domingo nas Filipinas.

Duterte, prefeito da grande cidade de Davao (sul), de 71 anos, tinha 38,92% dos votos, após a apuração de 63% das urnas.

Em segundo lugar estava a senadora Grace Poe, com 22,14%, seguida de perto por Max Rosas, candidato do atual presidente do Benigno Aquino, de acordo com o PPCRV, organismo católico de fiscalização eleitoral, autorizado pelo governo a compilar resultados.

O sistema eleitoral filipino não prevê segundo turno. Portanto, o vencedor da votação, mesmo sem maioria absoluta, garante a presidência do arquipélago do Pacífico ocidental, de 102 milhões de habitantes.

"Duterte é quase com certeza o vencedor", afirmou o analista político Ramon Casiple.

Mas Duterte se negou a reivindicar a vitória antes do fim da apuração.

A imprensa local também não anunciou o triunfo do candidato, pois não está claro se a apuração já aconteceu em um dos redutos eleitorais de seus adversários.

Uma nova era autoritária? Três décadas depois da revolução que expulsou do poder o ditador Ferdinand Marcos, os críticos de Rodrigo Duterte advertiram para o risco de que sua eleição resulte em um novo período conturbado para as Filipinas.

"Preciso da ajuda de vocês para deter o retorno do terror ao nosso país, Não posso fazer isto sozinho", disse no sábado o presidente Benigno Aquino, cuja mãe, Corazón Aquino, liderou o movimento democrático que derrubou Marcos e depois presidiu a nação durante seis anos.

Mas os filipinos, que não viram o crescimento econômico do país resultar em um avanço de seu nível de vida, parecem ter ignorado as advertências e preferiram ouvir o discurso de Duterte contra a elite.

Duterte afirma que para acabar com a pobreza é necessário erradicar o crime. Para isto, prometeu que deixará de lado uma justiça ineficaz e corrupta, ao mesmo tempo que ordenará às forças de segurança a eliminação dos criminosos.

"Esqueçam as leis sobre os direitos humanos", gritou em seu último comício.

"Se for eleito presidente, farei exatamente o que fiz como prefeito. Vocês, traficantes, assaltantes e canalhas, seria melhor que fossem embora, porque vou matá-los", advertiu.

O advogado e prefeito também ameaça estabelecer um governo unipessoal, caso os congressistas não sigam suas orientações.

Em um país no qual 80% dos habitantes são católicos fervorosos, Duterte se permitiu até mesmo ofender o papa Francisco. No discurso de lançamento da campanha no ano passado, chamou o pontífice de "filho da p...", por ter provocado engarrafamentos durante uma visita ao país.

Os filipinos votaram no domingo em eleições locais e nacionais, com mais de 18.000 cargos em disputa, após uma campanha marcada pela violência.

A polícia confirmou a morte de 15 pessoas em ataques relacionados com as eleições. Outras 10 pessoas morreram nesta segunda-feira em vários pontos do país, mas as autoridades alegaram que os incidentes não tiveram impacto nas eleições.

Apesar da média de crescimento anual de 6% nos últimos anos, mais de 25% dos filipinos sobrevivem com renda abaixo da linha da pobreza, o mesmo índice registrado há seis anos.

Há 30 anos o país é governado, tanto a nível local como nacional, por clãs familiares apoiados por importantes empresários, um sistema que aumentou ainda mais a distância entre ricos e pobres.

bur-kma/fp

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