Governo apresentará recurso no Supremo para anular impeachment de Dilma

Brasília, 10 Mai 2016 (AFP) - A Advocacia-geral da União vai pedir nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal que anule o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, um dia antes de o processo ser votado no Senado.

A iniciativa da AGU, que representa juridicamente a presidente, busca resguardar os direitos dela e pede "a anulação do processo de impeachment (...) que tramita no Congresso", informou a instituição em um comunicado.

O governo argumenta que o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, suspenso na semana passada por obstruir investigações contra ele no âmbito do escândalo de propinas na Petrobras, aceitou um pedido para abrir um julgamento de impedimento contra Dilma por "vingança" pessoal.

Segundo o governo, Cunha deu luz verde ao processo depois que o PT decidiu apoiar uma investigação contra ele na Câmara por falhas éticas, que contemplam sanções que poderiam custar-lhe o mandato, agora em suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A decisão do governo adiciona mais um ingrediente à incerteza que o País atravessa a menos de 24 horas da votação no Senado.

Segundo o processo em curso, o plenário de 81 senadores debaterá se aceita o processo que acusa a presidente de maquiar contas públicas em 2014, ano de sua reeleição, e no começo de 2015.

Todas as pesquisas indicam que o Senado autorizará a instalação do impeachment e que Dilma será afastada por até 180 dias enquanto o processo tramitar.

Se for considerada culpada, a herdeira política e sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) deixará a Presidência definitivamente e será substituída pelo vice, Michel Temer, que se tornou seu principal inimigo político.

A ex-guerrilheira de 68 anos, que assumiu o poder em 2011 e deveria passar a faixa presidencial em 1º de janeiro 2019, insiste em que os governantes que a antecederam praticaram as mesmas manobras fiscais, que não cometeu crime algum e que é vítima de um "golpe parlamentar".

Após ter perdido o apoio de quase todos os partidos que integravam a coalizão do governo e com apenas 10% de popularidade, a primeira mulher em presidir o Brasil joga esta tarde uma cartada de última hora na máxima corte.

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