ONU divulga relatórios 'alarmantes' sobre violência das forças de segurança turcas

Genebra, 10 Mai 2016 (AFP) - O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou nesta terça-feira uma série de violações aparentemente cometidas pelas forças de segurança e militares turcas, que inclui disparos contra civis desarmados e a morte de cem pessoas queimadas vivas.

Zeid Ra'ad Al Hussein expressou sua profunda inquietação a respeito de informações que surgiram de "diversas fontes confiáveis" sobre as ações realizadas pelas forças de segurança no sudeste do país, de predominância curda, nos últimos meses.

"A impressão que emerge, embora ainda seja parcial, é muito alarmante", disse em um comunicado.

As autoridades turcas impuseram um cessar-fogo na cidade de Cizre e em outras localidades desta região para provocar a fuga dos rebeldes próximos ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que fizeram barricadas e abriram trincheiras.

"Condeno fortemente os atos de violência e os outros atos ilegais cometidos por grupos de jovens e por outros agentes não estatais, que estariam afiliados ao PKK, em Cizre e em outras zonas, e lamento toda morte que resulte destes atos terroristas, não importa onde ocorram", declarou Zeid Ra'ad Al Hussein.

Mas ressaltou que é "essencial que as autoridades respeitem os direitos humanos quando realizam operações de segurança ou antiterroristas e que deve ser respeitado o direito internacional que proíbe a tortura, os assassinatos extrajudiciais, o recurso excessivo à força assassina e a detenção arbitrária".

O Alto Comissariado indicou que recebeu relatórios sobre civis desarmados, incluindo mulheres e crianças, "intencionalmente tomados como alvos pelos franco-atiradores emboscados ou por disparos provenientes de tanques e outros veículos militares".

"O mais perturbador, disse Zeid, são os relatórios que citam testemunhas e pessoas próximas a Cizre que sugerem que mais de 100 pessoas teriam morrido queimadas quando estavam em um refúgio em três porões cercados pelas forças de segurança".

Exigiu uma investigação exaustiva, e destacou que até agora a Turquia não parece ter iniciado uma investigação ou dado sua aprovação a uma petição do Alto Comissariado para ir ao local.

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