Rodrigo Duterte, novo presidente filipino, um coquetel de heterodoxia e polêmica

Manila, 10 Mai 2016 (AFP) - Os filipinos estão acostumados a uma vida política conturbada, mas a chegada à presidência de Rodrigo Duterte, um político autoritário, carismático e nada convencional, que ganhou as manchetes com suas declarações explosivas, surpreendeu a todos.

O prefeito da cidade de Davao (sul) fascinou os filipinos com uma campanha populista, centrada na segurança, com direito a comentários grosseiros e ameaças de morte.

O advogado e ex-procurador de 71 anos, que na juventude chegou a integrar uma organização comunista, afirma ser capaz de sacudir a política convencional.

As declarações acima do tom e os insultos ganharam as primeiras páginas dos jornais, como no dia em que chamou o papa de "filho da puta" ou quando tentou fazer piada ao afirmar que gostaria de ter sido o primeiro no estupro coletivo de uma missionária australiana em 1989. Os comentários não diminuíram sua popularidade.

Sua inesperada vitória na eleição presidencial de segunda-feira reflete a frustração dos filipinos, cansados da corrupção endêmica, da pobreza e da situação econômica, dominada por poucos clãs familiares.

O carisma de Duterte é inegável e sua verborragia termina por agradar boa parte da população, assim como seu figurino informal.

Ele não esconde as relações extraconjugais e admite que tem quatro filhos com quatro mulheres.

O gosto pela controvérsia é antigo. Os jesuítas o expulsaram da escola de ensino médio Ateneo, de Davao, onde, diz a lenda, preferia jogar basquete a encarar os livros.

Rodrigo Duterte é filho de uma muçulmana e de um ex-governador provincial católico que emigrou do centro do país para o sul em busca de melhores condições de vida.

"Ditador potencial"Enquanto os adversários reconheceram a derrota, Duterte visitou o mausoléu dos pais e não conseguiu conter o choro.

Quando jovem, o presidente eleito estudou na Universidade de Manila, onde teve como professor José María Sison, fundador da rebelião comunista e atualmente no exílio.

Estudou Direito no Centro de San Beda e se tornou procurador, uma profissão que, afirma, permitiu tomar consciência da corrupção que afeta todos os níveis sociais.

Duterte entrou na política depois da queda do ditador Ferdinand Marcos, em 1986. Paradoxalmente, Corazón Aquino, então a nova presidente do país, o nomeou prefeito adjunto interino de Davao.

O filho de Corazón, Benigno Aquino, atual presidente filipino e que será sucedido por Duterte, é um dos maiores críticos do presidente eleito, a quem acusa de ser um "ditador potencial".

Rodrigo Duterte passou a maior parte dos últimos 20 anos como prefeito de Davao, a terceira maior cidade das Filipinas.

Quando chegou ao poder, Davao era cenário de rebeliões comunista e muçulmana, como o restante da região de Mindanao.

Agora ele promete ampliar a todo o país o modelo instaurado em Davao, transformada - segundo Duterte - em uma cidade segura, onde fumar nas ruas é proibido e os carros são obrigados a circular devagar.

Alguns de seus métodos provocam polêmica.

Os defensores dos direitos humanos o acusam de ter organizado esquadrões da morte que assassinaram mais de 1.400 pessoas, incluindo crianças.

Em alguns momentos ele se gabou de ter planejado os esquadrões formados por policiais, ex-rebeldes comunistas e matadores de aluguel. Em outros negou ter qualquer relação com os grupos.

Durante a campanha eleitoral, prometeu limpar o país da mesma forma que fez em Davao e advertiu que as forças de segurança serão autorizadas a matar dezenas de milhares de criminosos.

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