Prêmios Nobel da Paz e FAO se unem no combate à fome e aos conflitos

Roma, 11 Mai 2016 (AFP) - A organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) assinou nesta quarta-feira, em Roma, uma aliança com um grupo de prêmios Nobel da Paz para combater a fome como a única maneira de alcançar a paz no mundo.

"Sem segurança alimentar não há paz no mundo", resumiu o costa-riquenho Oscar Arias Sanchez ao lançar a iniciativa na sede da FAO.

Além de Arias, Nobel em 1987 por sua liderança nos esforços de paz na América Central, a FAO convidou para a cerimônia o banqueiro de Bangladesh Muhammad Yunus, promotor do microcrédito, a iemenita Tawakkul Karman, defensora dos direitos humanos, e a ativista da Irlanda do Norte Betty Williams.

Os quatro, que foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz, lideraram esforços extraordinários em áreas muito diversas, tais como desenvolvimento sustentável, redução da pobreza, cooperação internacional e a paz.

Ao apresentar a nova aliança, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, pediu que essas personalidades unam esforços para que a fome não provoque mais conflitos.

"Hoje, a comunidade internacional dedica a maior parte de seus recursos em intervenções humanitárias para salvar as vidas de pessoas afetadas por crises prolongadas. Infelizmente, não destina o suficiente para ajudar essas pessoas - a maioria das quais vivem em áreas rurais - a sair e reconstruir as suas vidas e, assim, evitar que se tornem refugiados, migrantes ilegais ou mendigos", lamentou o diretor da agência especializada das Nações Unidas.

A FAO acredita que o setor agrícola é fundamental para a prevenção de conflitos e para a construção da paz.

Entre 2004 e 2009, cerca de 55.000 pessoas morreram a cada ano como resultado direto de conflitos e terrorismo, enquanto cerca de 250.000 morreram apenas na Somália entre 2010 e 2013 pela fome e seca, de acordo com dados da FAO.

"As evidências mostram que as intervenções de segurança alimentar oportunas e sólidas permitem que os indivíduos e comunidades aumentem a sua resistência ao conflito e acelerem a sua recuperação", disse da Silva.

Sob o lema "semear e segurança alimentar e colher a paz", os premiados ilustraram suas próprias experiências.

Para o ex-presidente da Costa Rica, a diplomacia é indispensável para combater a violência, além de defender cortes com os gastos militares. "As forças armadas são o maior poluidor do planeta" e precisamos de um planeta saudável para alimentar o mundo.

Tawakkul Karman, que ganhou o prêmio em 2011 por seu trabalho na luta não violenta pela segurança das mulheres no Iêmen, pediu "esforços políticos para alcançar uma mudança econômica. Vamos começar já", clamou.

A ativista irlandesa Betty Williams, fundadora da Comunidade Pessoas pela Paz que trabalhou contra a violência e discórdia entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte na década de 1970, denunciou a morte de muitas crianças por fome o mundo.

Cerca de "35.000 crianças morreram de fome em 11 de setembro de 2001 e ninguém falou sobre isso", lembrou.

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