Senado inicia debates sobre impeachment de Dilma Rousseff

Brasília, 11 Mai 2016 (AFP) - Em uma sessão histórica, o Senado brasileiro debatia nesta quarta-feira se inicia o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o que acabaria com mais de 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT).

O plenário do Senado iniciou os debates às 10H00, uma hora mais tarde que o programado, para decidir se a presidente deve ser submetida a um julgamento de impeachment por ter cometido "crime de responsabilidade" ao utilizar empréstimos de bancos estatais para cobrir os problemas no orçamento em 2014 e 2015.

A votação dos senadores deve terminar na noite desta quarta-feira ou nas primeiras horas de quinta-feira.

A oposição afirma contar com a maioria simples de 41 votos (sobre um total de 81 senadores) para aprovar o processo e afastar do poder por seis meses a primeira mulher que chegou à presidência do Brasil, antes de adotar uma decisão definitiva.

O impeachment é um processo "longo e traumático", afirmou pouco antes do início da sessão o presidente do Senado, Renan Calheiros.

O processo "coloca uma enorme responsabilidade sobre o Senado", pois "decidiremos sobre o afastamento temporário ou a permanência no poder da presidente Rousseff, que foi eleita pelo voto", acrescentou.

Calheiros pediu ainda "serenidade e espírito público" aos senadores.

Enquanto os debates começavam em Brasília, simpatizantes do governo protestaram brevemente contra o impeachment em vários pontos de São Paulo, bloqueando artérias viárias e erguendo barricadas.

Em Brasília, por sua vez, o dia transcorria normalmente fora das paredes do Congresso, embora um dispositivo especial com 1.500 policiais tenha sido mobilizado na Esplanada, onde são esperadas manifestações a favor e contra o impeachment.

O mercado reagia com calma a este novo capítulo político. A bolsa de São Paulo subia 0,57%, enquanto o real perdia 0,12% na manhã desta quarta-feira. Na terça-feira a bolsa paulista fechou em alta de mais de 4%.

"Golpe moderno"As projeções da imprensa mostram que a oposição tem votos suficientes para afastar temporariamente a presidente Dilma Rousseff, de 68 anos, que governa o país desde 2011 depois de ter sucedido Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

A presidente acusa seu vice-presidente, Michel Temer, de orquestrar um "golpe moderno" contra ela e alega que governos anteriores praticaram as mesmas manobras fiscais das quais é acusada, afirmando que não cometeu nenhum "crime de responsabilidade", um acusação que pode ser punida com o impeachment, segundo a Constituição.

Temer, ex-aliado que Dilma acusa de traição, assumirá a presidência de forma interina e a presidente for afastada do cargo. E se Dilma for declarada finalmente culpada após seis meses de julgamento, Temer governará o país até 2018.

A Câmara dos Deputados aprovou o impeachment em abril por grande maioria.

bur-jt-nr/fp/ma

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos