EUA confiam em que Brasil enfrentará crise de forma democrática

Washington, 12 Mai 2016 (AFP) - Os Estados Unidos expressaram nesta quinta-feira sua confiança em que o Brasil enfrentará de forma democrática e constitucional da crise política que levou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, e destacaram a "solidez" das instituições brasileiras.

"Confiamos em que o Brasil atenderá seus desafios políticos democraticamente de acordo com seus princípios constitucionais", disse Elizabeth Trudeau, porta-voz do Departamento de Estado.

Mais cedo, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, havia dito que o presidente Barack Obama "continua tendo confiança na solidez das instituições democráticas do Brasil para enfrentar a crise política".

A presidente Dilma foi afastada nesta quinta-feira da Presidência e substituída por seu vice, Michel Temer, por um período de até 180 dias, depois que o Senado decidiu submetê-la a um julgamento político.

As declarações dos funcionários americanos mantêm a posição de Washington durante os meses anteriores, expressando apoio ao forte aliado regional, sem mediar os assuntos políticos internos.

"Pretendemos respeitar as instituições, tradições e procedimentos do governo", disse o porta-voz da Casa Branca, durante sua coletiva de imprensa diária.

Na quarta-feira, Earnest tinha dito que "o Brasil está sob inspeção e pressões e os Estados Unidos estarão aí para apoiar o nosso amigo e parceiro enquanto enfrentam estes importantes desafios".

Recebida em junho de 2015 por Obama na Casa Branca, Dilma Rousseff conseguiu recompor as relações bilaterais após as revelações da espionagem americana e ambos se tornaram aliados na luta contra as mudanças climáticas.

O governo americano ainda não contatou Temer desde que assumiu interinamente a Presidência, indicou à AFP um funcionário do Departamento de Estado sob a condição de ter a identidade preservada.

Mas Washington já parecia olhar para frente na relação bilateral.

"Como as maiores democracias do hemisfério, o Brasil e os Estados Unidos são parceiros comprometidos. Cooperamos com o Brasil em vários temas - comércio, segurança e meio ambiente - e esperamos que isto continue", disse Trudeau.

Dilma é acusada de "crime de responsabilidade" por maquiar contas públicas nas chamadas "pedaladas fiscais".

Para destituí-la definitivamente, a oposição precisa dos votos de dois terços do Senado (54 do total de 81 membros) - um a menos que os obtidos na quinta-feira, o que demonstra ser pouco provável que Dilma vá voltar ao poder.

Se for destituída ao final do processo, Temer concluirá o mandato em 2018.

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