Teerã diz não haver condições para peregrinação de iranianos a Meca

Teerã, 12 Mai 2016 (AFP) - O Irã não chegou a um acordo com a Arábia Saudita para que seus cidadãos possam fazer a peregrinação a Meca em setembro, um ano depois da morte de milhares de peregrinos, anunciou o ministro iraniano da Cultura.

"Não se reúnem as condições e agora é muito tarde", declarou Ali Janati, citado pela agência oficial Irna. "A sabotagem vem dos sauditas", completou.

O comitê de organização da peregrinação está vinculado ao ministério da Cultura.

Em abril, foram celebradas negociações na Arábia Saudita entre sauditas e iranianos para fixar as condições para a peregrinação, um ano depois da morte de quase 2.300 pessoas, sendo mais de 450 iranianos, em um grande tumulto. Teerã chamou Riad na época de "incompetente".

"Os sauditas não aceitaram nossas propostas para a concessão de vistos, transporte e segurança dos peregrinos", declarou Janati.

"Dizem que nossos peregrinos devem viajar a outro país para solicitar o visto", completou.

Teerã deseja que os vistos sejam expedidos em território iraniano, apesar do rompimento das relações diplomáticas entre os dois países em janeiro.

O ministério do Hajj - a peregrinação anual a Meca - respondeu, no entanto, que os iranianos poderiam pegar seus vistos através da internet, como faziam todos os peregrinos estrangeiros.

Em um comunicado publicado no jornal Al-Riyadh, o ministério afirmou que os iranianos solicitaram poder realizar seus próprios rituais, incluindo protestos que incluíam "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel".

A Arábia Saudita quer deixar os lemas políticos à margem da peregrinação.

O reino "dá as boas-vindas a todos os peregrinos de todo o mundo e de todas as nacionalidades", disse o ministério, afirmando que as visitas devem ser feitas seguindo "o sistema e as pautas" previstas pelo ministério.

A Arábia Saudita, país com população de maioria sunita, e o Irã, xiita, discordam em muitos temas, como a guerra na Síria, onde Teerã apoia o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, e Riad, os grupos rebeldes.

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