Era Temer começa com promessa de resgatar o Brasil

Brasília, 13 Mai 2016 (AFP) - O presidente em exercício Michel Temer iniciou seu governo no Brasil com a promessa de reformas para resgatar o país da crise e tentar sobreviver ao escândalo de corrupção que levou à saída de Dilma Rousseff.

Temer, considerado um traidor por Dilma, iniciou a reunião com seu gabinete de ministros, uma mesa redonda formada apenas por homens brancos.

"Temos pouco tempo", disse Temer, do PMDB, ao assumir na quinta-feira a presidência no Palácio do Planalto.

"Mas se nos esforçarmos, faremos as reformas que o país precisa", disse o ex-vice-presidente de Dilma, convertido agora em um de seus principais inimigos.

Após meses de agitação política, o Senado decidiu na manhã de quinta-feira abrir um julgamento contra Dilma e afastá-la de seu cargo por até seis meses, enquanto avalia se ela merece ser definitivamente afastada do poder por maquiar as contas públicas.

Temer também se comprometeu não apenas a manter, mas também a melhorar as ajudas sociais, entre elas o Bolsa Família, um dos programas estrela do governo do Partido dos Trabalhadores (PT).

"É preciso aumentar a eficiência dos programas, não se pode dizer que o Brasil tem menos de 10% da população na pobreza quando existem 50 milhões de brasileiros precisando do Bolsa Família", declarou Osmar Terra, novo ministro de Desenvolvimento Social.

Aplausos e críticas"É preciso resgatar a credibilidade do Brasil no concerto interno e no concerto internacional" com medidas que cortem os gastos públicos e atraiam investimentos, disse Temer, um astuto e discreto advogado de 75 anos, cercado pelos membros de seu novo gabinete.

Entre eles o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que será o novo ministro da Fazenda, e o economista José Serra, ex-governador de São Paulo, que estará à frente do Itamaraty.

Mas sua equipe já recebeu críticas e questionamentos, em particular pela ausência total de mulheres e negros.

Os mercados encaram com bons olhos Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), lembrado pela ortodoxia com a qual conseguiu controlar a inflação e sanear a economia do Brasil.

Meirelles dará nesta sexta-feira mais detalhes sobre as medidas de choque para tirar o Brasil da pior recessão dos últimos 25 anos, que puderam ser vislumbrados no plano conhecido como "Uma ponte para o futuro" de Temer.

Não será nada fácil. Temer pode enfrentar uma feroz resistência da esquerda, que passou à oposição após mais de 14 anos no poder, e muitos dos problemas que atingiram Dilma, especialmente uma economia destruída (registrou uma forte contração de 3,8% do PIB em 2015), muito dependente de preços elevados do petróleo, do minério de ferro e de outras matérias primas.

Além disso, muitos de seus ministros e aliados políticos estão na mira das autoridades que investigam a megafraude na Petrobras, o que lhe tira credibilidade.

Sobretudo porque chegou ao poder sem a legitimidade das urnas e com um baixíssimo apoio popular: apenas entre 1% e 2% dos brasileiros votariam nele para presidente, segundo uma pesquisa recente.

Temer disse na quinta-feira que não colocará obstáculos na investigação do maior escândalo de corrupção na história do país, a "Lava Jato".

"Nunca deixarei de lutar"A suspensão de Dilma, uma ex-guerrilheira de 68 anos que se tornou a primeira mulher a assumir o poder no Brasil, em 2011, marca o fim de uma era da esquerda na América Latina.

Dilma deixou a presidência por acusações de que ocultou déficit e encheu os cofres com empréstimos de bancos estatais durante sua campanha à reeleição de 2014. Mas ela minimiza os fatos e afirma que Temer desferiu um golpe contra ela.

Combativa, antes de abandonar o Palácio do Planalto convocou a população a se mobilizar para defender a democracia.

"Aos brasileiros que se opõem ao golpe, independentemente de posições partidárias, faço um chamado: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz", disse Dilma em sua despedida.

"Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes", disse, voltando a ressaltar: "jamais vou desistir de lutar".

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