Governo Temer anuncia 'mudança de rumo' para resgatar o Brasil

Brasília, 13 Mai 2016 (AFP) - O governo do presidente em exercício Michel Temer anunciou em seu primeiro dia de funções uma "mudança de rumo" para combater "a pior crise econômica na história do Brasil', e traçou uma meta difícil de ser cumprida: um Estado sem corrupção.

"Vamos cortar gastos, privilégios", anunciou à imprensa o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, um ortodoxo que foi bem recebido pelos mercados após meses de instabilidade política e econômica de surpreendentes reviravoltas.

"Vamos evidentemente dar prioridade à questão da dívida pública e do seu crescimento a níveis sustentáveis", declarou Meirelles, que foi presidente do Banco Central durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10).

O novo governo liderado pelo ex-vice da presidente Dilma Rousseff, agora considerado um dos seus principais inimigos, começou nesta sexta, um dia depois do Senado decidir abrir um julgamento contra Dilma e afastá-la de seu cargo por até seis meses, enquanto avalia se ela merece ser definitivamente afastada do poder por maquiar as contas públicas.

A ex-guerrilheira de 68 anos denuncia um golpe tramado por Temer e seu partido, o PMDB.

Fora corrupção?Após a primeira reunião de Temer com seu gabinete, exclusivamente masculino, muitos ministros disseram que as prioridades são: um governo mais enxuto, o equilíbrio fiscal e o combate à corrupção revelada na Petrobras e que penetrou as mais altas esferas da polícia brasileira.

"Estamos vivendo a pior crise econômica na História do Brasil", afirmou o novo chefe de gabinete de Temer, Eliseu Padilha.

Após quatro anos seguidos de crescimento lento, a economia brasileira contraiu 3,8% em 2015, e tudo indica que este ano o retrocesso será igual ou pior. Para 2017, os especialistas preveem um crescimento zero.

"As pessoas saíram às ruas em busca de duas coisas: um Estado sem corrupção e um Estado eficiente", sustentou Padilha, em referência às recentes manifestações contra Dilma.

"Fora a corrupção e que entre entre a eficiência", resumiu, ainda que tenha admitiu que será "muito difícil".

Com apenas um dia de governo, a equipe de Temer já recebeu críticas e questionamentos, em particular pela ausência total de mulheres e negros.

Além disso, muitos de seus ministros e aliados políticos estão na mira das autoridades que investigam a megafraude na Petrobras, o que lhe tira credibilidade.

Temer disse na quinta-feira que não colocará obstáculos na investigação do maior escândalo de corrupção na história do país, a "Lava Jato".

"Tentamos buscas mulheres, mas devido à agenda (...) não foi possível", declarou Padilha, que indicou que a ausência será compensada pela nomeação de mulheres em cargos ministeriais.

Para o governo, que chegou ao poder sem a legitimidade das urnas e com um baixíssimo apoio popular: apenas entre 1% e 2% dos brasileiros votariam em Temer para presidente, segundo uma pesquisa recente, a tarefa de resgatar o país será difícil.

"Nunca deixarei de lutar"A suspensão de Dilma, uma ex-guerrilheira de 68 anos que se tornou a primeira mulher a assumir o poder no Brasil, em 2011, marca o fim de uma era da esquerda na América Latina.

Dilma deixou a presidência por acusações de que ocultou déficit e encheu os cofres com empréstimos de bancos estatais durante sua campanha à reeleição de 2014. Mas ela minimiza os fatos e afirma que Temer desferiu um golpe contra ela.

Combativa, antes de abandonar o Palácio do Planalto convocou a população a se mobilizar para defender a democracia.

"Aos brasileiros que se opõem ao golpe, independentemente de posições partidárias, faço um chamado: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz", disse Dilma em sua despedida.

"Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes", disse, voltando a ressaltar: "jamais vou desistir de lutar".

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