'Lutaremos para voltar', diz Rousseff

Brasília, 13 Mai 2016 (AFP) - Este governo é "ilegítimo" e "lutaremos para voltar", disse nesta sexta-feira Dilma Rousseff, um dia depois de ter sido afastada da Presidência pelo Senado.

"Um governo ilegítimo precisa sempre de mecanismos ilegítimos para se manter", criticou Dilma em sua primeira intervenção pública logo depois de ser substituída interinamente por seu vice-presidente, Michel Temer, a quem considera um traidor.

Animada, Dilma afirmou que seu afastamento temporário é fruto de uma conspiração orquestrada entre o Congresso e as elites tradicionais, e antecipou que se manterá politicamente ativa para defender sua posição diante da sociedade.

A presidente foi suspensa na quinta-feira pelo Senado, que tem um prazo máximo de seis meses para julgar se ela cometeu crimes de responsabilidade, ao aprovar gastos sem o consentimento do Congresso e financiar o Tesouro com bancos públicos.

Foi substituída no mesmo dia em uma cerimônia desorganizada por Temer, que esta manhã já conduziu sua primeira reunião de gabinete.

Rousseff não se resigna.

"Temos que nos defender politicamente. Essa defesa será feita para toda a sociedade brasileira e pretendo ir cada vez que seja intimada e responder sobre as razões que levaram a este processo, com o qual tenho profunda discordância", disse.

Apesar de terem compartilhado a chapa eleitoral em 2010 e 2014, Temer e Rousseff foram ferozmente enfrentados.

"O impeachment é uma fraude, um golpe para poder executar seu programa de governo que não foi aprovado nas urnas", disse repetindo uma afirmação que costuma usar para se defender da decisão.

Em seu primeiro dia fora do cargo para o qual foi eleita até o fim de 2018, a primeira mulher eleita presidente do Brasil disse que não terá muito tempo para seus assuntos particulares.

"Vou viajar pelo Brasil e não descarto viajar (ao exterior) se me convocarem. Se eu considerar que é adequado, vou viajar a qualquer lugar", adicionou.

"O Brasil tem hoje um governo provisório, interino e uma presidenta eleita por 54 milhões. Há um governo interino e ilegítimo do ponto de vista dos votos. Lutaremos para voltar", encerrou.

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