Capriles adverte sobre implosão na Venezuela se Maduro bloquear referendo

Caracas, 14 Mai 2016 (AFP) - O líder opositor venezuelano, Henrique Capriles, advertiu neste sábado sobre a possibilidade de implosão social, se o governo impedir que seja realizado um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro neste ano, depois que o presidente declarou estado de exceção nacional.

"Se vocês trancam a via democrática, nós não sabemos o que pode ocorrer neste país. A Venezuela é uma bomba que, em qualquer momento, pode explodir. E, portanto, convocamos todo o povo para que se mobilize pelo referendo", disse Capriles no encerramento de uma manifestação ao leste de Caracas.

Frente ao decreto de estado de exceção e frente à prorrogação da emergência econômica promulgados por Maduro na sexta-feira, Capriles pediu que se mantenham "em alerta", pois "não sabemos o conteúdo desse decreto".

Esse novo decreto é "mais completo, mais integral", declarou Maduro, sem informar o alcance de eventuais restrições que seu governo poderia impor para contrariar "ameaças internacionais". Ele atribui essas ameaças, principalmente, aos Estados Unidos.

Falando de um caminhão rodeado de alto-falantes, o secretário executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, denunciou que, "quando Maduro aprova um estado de exceção sem a aprovação do Parlamento, está cometendo uma violação da Carta Magna".

Já o presidente do Parlamento, Henry Ramos Allup, alertou que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) prepara uma sentença para "destituir a diretoria da Assembleia por desacato".

Cerca de mil pessoas participaram do protesto, segundo cálculo da AFP. Vestidos com camisetas e gorros com as três cores da bandeira venezuelana, os manifestantes dançavam ao ritmo de salsa, reggaeton e tambores, enquanto levavam cartazes com as palavras de ordem "Revogatório Já", "#OPovoUnidoVenceoCNE" e "Maduro #RenunciaJa".

A liderança opositora convocou um novo ato a ser realizado nas sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em todo o país para a próxima quarta-feira.

"Isso do estado de exceção é pura história, outra mentira de Maduro para nos colocar medo", afirmou a enfermeira Aura Rojas, de 52 anos, que disse estar convencida de que "o governo não tem intenção de combater a escassez, nem a inflação, porque quer ter o povo com fome".

A aposentada Miriam Garcia, de 67, disse se sentir "decepcionada" com o decreto.

"Estamos cansados de o governo sempre inventar algo para se dar bem", declarou.

"Temos de lutar para Maduro sair este ano, mas, se não conseguirmos, teremos de votar em 2017", afirmou.

María Alexandra Machado, uma consultora financeira de 49 anos, considera esse cenário inadmissível.

"Se não convocarem o referendo este ano, o povo sairá às ruas e haverá guerra", prometeu.

A oposição espera realizar a consulta no mais tardar no final deste ano, mas o governo defende que os prazos legais não vão permitir que essa data seja atendida.

Se o referendo for realizado depois de 10 de janeiro de 2017 - quando completam quatro anos do período presidencial - e Maduro perder, os dois anos restantes serão concluídos pelo vice-presidente, designado pelo chefe de Estado.

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