Grandes potências dispostas a armar governo líbio de união nacional

Viena, 16 Mai 2016 (AFP) - As grandes potências e os países vizinhos da Líbia decidiram nesta segunda-feira, em Viena, apoiar o rearmamento do governo líbio de união nacional que tenta garantir a sua autoridade neste país minado pelas divisões políticas e pela ameaça terrorista.

As 25 delegações nacionais ou de uniões regionais reunidas em Viena anunciaram nesta linha que "apoiarão completamente os esforços" do novo executivo líbio, que pedirá a suspensão do embargo à venda de armas para a Líbia, em vigor desde 2011.

O secretário de Estado americano, John Kerry, que presidiu o encontro ao lado do contraparte italiano, Paolo Gentiloni, indicou que para Trípoli se trata de "poder adquirir as armas e as balas necessárias para combater o Daesh [grupo Estado Islâmico] e outras organizações terroristas".

Kerry e Gentiloni indicaram, ao contrário, que a comunidade internacional não tem a intenção de intervir militarmente na Líbia para apoiar o governo de unidade nacional dirigido por Fayez al Sarraj desde o mês de março e com sede em Trípoli.

Sarraj, presente em Viena, solicitou a ajuda dos ministros presentes, que mostraram a disposição de "responder às petições do governo líbio com o objetivo de treinar e equipar a guarda presidencial e as forças autorizadas".

"Os Estados Unidos estão dispostos a proporcionar a ajuda humanitária, econômica e um apoio em matéria de segurança ao novo governo líbio se o solicitar", declarou o chefe da diplomacia americana.

Rússia, Arábia Saudita, China, Egito, Tunísia, França, Reino Unido, Alemanha e Itália assinaram, entre outros, este acordo adotado ao fim de uma reunião de menos de duas horas em Viena.

As Nações Unidas impuseram um embargo à venda de armas para a Líbia no início da rebelião contra o regime de Muamar Kadhafi, em 2011, embora tenha sido violado em várias ocasiões.

Os participantes da reunião de Viena afirmaram, no entanto, que este embargo será mantido e será reforçado para os adversários do governo de Trípoli.

'Cooperação de todos'Mais de um mês e meio depois de sua instalação, o governo de unidade nacional de Sarraj tem dificuldades para assentar sua autoridade e contar com a adesão do governo paralelo sediado no leste do país.

Este último recusava-se a ceder o poder antes de um novo de confiança do Parlamento, que foi adiado várias vezes.

O governo de Sarraj também enfrenta pressão do grupo Estado Islâmico (EI), que aproveitou o caos estabelecido no país desde a revolta que acabou com o regime de Khaddafi para se implantar neste país produtor de petróleo.

Desde então, estendeu sua influência a oeste da cidade líbia de Syrte, que controla desde junho de 2015.

"Serei franco, a situação na Líbia é muito ruim economicamente, financeiramente e no nível da segurança. Precisamos da cooperação de todos", afirmou o primeiro-ministro líbio, em coletiva de imprensa com os chanceleres americano e italiano.

"As possibilidades deste governo permanecem limitadas em razão dos conflitos internos", reconheceu o chefe da diplomacia alemã, Franz-Walter Steinmeier, antes do início da reunião.

O desafio é também conter o fluxo de imigrantes da Líbia, a apenas 300 km da costa italiana.

Os conflitos políticos e o vácuo de segurança desde 2014 facilitaram a implantação do EI na Líbia, constituindo uma ameaça direta para os seus vizinhos e para a Europa.

Na semana passada, os extremistas tomaram o controle da cidade de Abu Grein, 100 km a oeste de Sirte, após uma série de ataques contra as forças militares do governo de unidade nacional.

Pela primeira vez, esta organização extremista conseguiu estender seu controle para o oeste desta cidade.

A guerra contra os jihadistas é um dos elementos de rivalidade entre as forças do governo de unidade e as do governo paralelo com sede no leste do país.

As duas autoridades rivais aceleram os preparativos para lançar a primeira ofensiva destinada a expulsar o EI de Sirte, correndo o risco de afastar a perspectiva de reconciliação e vitória contra os jihadistas.

O EI conta com entre 3.000 a 5.000 combatentes na Líbia e dali tenta captar centenas de combatentes estrangeiros, asseguram fontes americanas e francesas.

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