Hillary Clinton tenta seduzir brancos de classe operária em Kentucky

Paducah, Estados Unidos, 16 Mai 2016 (AFP) - Nenhum candidato democrata à Presidência venceu em Kentucky desde 1980, com exceção do marido da pré-candidata Hillary Clinton, Bill. Apesar disto, a aspirante à Casa Branca quer seduzir neste estado um setor do eleitorado que a repudia: homens brancos da classe operária.

O estado recebe as primárias democratas na terça-feira, e Bernie Sanders, adversário de Hillary nas prévias do partido, venceria neste estado, repetindo o feito da semana passada na vizinha Virgínia Ocidental.

Estes dois estados se assemelham pela importante indústria do carvão, como em boa parte da cordilheira dos Apalaches, uma região de população majoritariamente branca que se sente esquecida da recuperação após a crise de 2007-2008.

O casal Clinton fez várias viagens ao reino do carvão para tentar reverter o dano provocado pelos comentários feitos em março por Hillary sobre tentar "por um montão de companhias de carvão e mineiros para fora do negócio". Estas palavras calaram fundo nos Apalaches.

"É importante dizer que há muitas pessoas no nosso país que se sentem frustradas, que se sentem ansiosas, algumas delas têm raiva, porque ainda não se recuperaram da grande recessão", disse Hillary em um ato no domingo em Fort Mitchell, no norte de Kentucky.

"Estas pessoas não conseguiram ainda encontrar um caminho que ofereça às suas famílias um futuro mais próspero e penso que devemos enteder isto", disse.

Com a indicação democrata praticamente no bolso, Hillary Clinton se posiciona como candidata presidencial nas eleições de novembro, o que a oporia ao republicano Donald Trump.

Após buscar durante meses conquistar a ala liberal do partido, ela agora ampliou sua mensagem econômica para seduzir os setores operários.

Os Clinton "não vão abandonar o Kentucky. Nem agora, nem em novembro, nem nunca", afirmou o congressista local Juan Yarmouth diante de uma multidão em Louisville antes de passar o microfone para a ex-secretária de Estado.

CLinton fez três eventos de campanha em Kentucky no domingo e deveria fazer outras três nesta segunda-feira.

Em Fort Mitchell, voltou a prometer ajuda às regiões mineiras.

"Eles tornaram possível a nossa industrialização, que ligássemos as luzes, que nossas fábricas construíssem a maior economia e a melhor classe média que o mundo já teve", disse.

"E não podemos e não devemos nos esquecer deles", afirmou.

"Eles percebem o jogo dela"Truman Burden, um ex-mineiro de 58 anos que agora conserta tubulações, disse em Louisville que esperava conseguir que seus antigos colegas se mantenham longe de Trump.

"O que estou tentando dizer aos operários é que eles sabem onde se posicionam Bill e Hillary Clinton", e que "se quiserem dar um salto no desconhecido, vão se arrepender", explicou à AFP.

Pesquisas de opinião divulgadas em vários estados revelam que Hillary Clinton perde votos para Sanders entre os homens brancos por uma margem considerável.

Em um confronto em novembro, as pesquisas mostram que o magnata Trump tem uma vantagem sobre Hillary, pelo menos neste momento, entre os brancos da classe operária.

"Eles percebem o jogo dela", disse o gerente imobiliário Bill Dunn, falando dos operários, durante um churrasco em Paducah, cidade do sudoeste de Kentucky.

"Gostam de honestidade e falta isso a ela", acrescentou.

A derrota para Sanders na Virgínia Ocidental teve um gosto amargo para Hillary, que venceu Obama de lavada neste estado na campanha de 2008.

Uma estratégia de Hillary parece ser apontar aos eleitores que mudaram seu voto, influenciados pela retórica e pelas políticas duras de Trump.

"É assustador, é um discurso perigoso. Este é o discurso de uma metralhadora giratória que cria confusão com suas declarações", disse Clinton. "Não podemos permitir isto".

Para o cubano Lázaro Martí, motorista de caminhão de Louisville, será difícil tomar uma decisão em novembro.

"Não gosto de Hillary, mas tenho medo de Trump, então, meu deus!", disse, segurando a cabeça e lembrando a beligerância de Trump contra os migrantes.

No entanto, contou que muitos de seus conhecidos em Kentucky, brancos e da classe operária, são "pessoas duras", que já tinham tomado sua posição.

"Falam de Hillary como se estivessem falando do diabo", afirmou Martí.

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