ONU considera 'improvável' que herbicida glifosato cause câncer

Genebra, 16 Mai 2016 (AFP) - É "improvável" que o controverso glifosato, utilizado pela Monsanto no seu herbicida Roundup, cause câncer, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU) na segunda-feira, em um golpe para os críticos que pedem que o produto seja banido.

No mês passado, o Parlamento Europeu urgiu que a União Europeia (UE) aprovasse o uso do glifosato por apenas sete anos, em vez dos 15 solicitados pelos reguladores do bloco, em meio a temores de que o produto pudesse ser cancerígeno.

Uma análise feita por especialistas em pesticidas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que "é improvável que o glifosato apresente riscos de câncer para humanos, desde a exposição até a ingestão".

A afirmação parece contradizer um estudo de março de 2015 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer da OMS (IARC) que afirmou que o glifosato "provavelmente" causava câncer.

A OMS afirmou, porém que as duas conclusões não são contraditórias.

Segundo a organização, o estudo da IARC abordou a questão de se o glifosato poderia potencialmente apresentar qualquer "perigo" para a saúde humana, inclusive em níveis extremamente altos de exposição.

O painel conjunto da OMS e da FAO analisou todas as evidências disponíveis para avaliar o risco específico para as pessoas que consomem quantidades limitadas desse produto químico através dos alimentos.

A constatação anterior da OMS foi citada por ativistas liderados pelo Greenpeace que pediram a proibição total do componente.

Em março, reguladores dos 28 estados membros da UE, além da Comissão Europeia, adiaram a sua decisão sobre a aprovação do glifosato, em meio a lobbies ferozes de ambos os lados da questão.

A comissão de pesticidas da UE deve se reunir na quarta-feira para decidir sobre a possibilidade de alargar a licença do glifosato.

As últimas conclusões da ONU poderiam derrubar a decisão anterior, beneficiando a gigante da agricultura Monsanto, que lutou para garantir a aprovação do seu produto-chave.

Entre os principais países-membros da UE, a França e a Áustria já se manifestaram contrárias ao glifosato, enquanto a Grã-Bretanha e a Alemanha apoiam a sua utilização.

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