Queda do petróleo em 2014 marcou início da crise da Venezuela

Caracas, 16 Mai 2016 (AFP) - A queda nos preços do petróleo em mais de 50% em meados de 2014 marcou o início de uma severa crise econômica na Venezuela, aprofundando ainda mais as tensões entre o governo e uma oposição hoje empenhada em tirar o presidente Nicolás Maduro do poder.

- Morte de Chávez e eleição de Maduro -O presidente Hugo Chávez, líder da "revolução bolivariana" morreu 5 de março de 2013. Ele tinha sido reeleito em 7 de outubro de 2012 e deveria assumir o novo mandato em 10 de janeiro de 2013.

Nicolás Maduro, na época vice-presidente, ficou encarregado do governo enquanto Chávez, com câncer, era atendido em Havana.

Em 14 de abril de 2013 houve novas eleições e Maduro ganhou com apenas 1,5 ponto de diferença sobre Henrique Capriles.

Ao assumir o cargo, Maduro denunciou a existência de uma "guerra econômica" da oposição e dos empresários para derrotá-lo.

A época das vacas gordas passava a ser uma mera lembrança no país com as maiores reservas de petróleo do mundo, que recebeu por sua exportação uma verdadeira fortuna entre 2004 e 2015: 750 bilhões de dólares.

De 98,98 dólares em julho de 2014, o barril caiu para 47,05 dólares no final do ano, o que causou um corte de importações de 33% em relação a 2012, quando as compras não petrolíferas somaram 52,6 bilhões de dólares.

Em um país onde o petróleo representa 96% das divisas e dependente das exportações, a crise se configurava.

- Inflação, escassez e protestos nas ruas -Até então cíclica e concentrada, a escassez de alimentos, medicamentos e insumos para a indústria disparou, em meio a um rígido controle de preços e do câmbio.

Com uma deterioração na qualidade de vida, o setor radical da oposição, liderado por Leopoldo López, foi às ruas para exigir a renúncia de Maduro, em protestos que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014.

O governo reuniu forças contra o "golpismo", e López foi preso. Acusado de incitar a violência, o dirigente foi condenado a quase 14 anos de prisão em setembro de 2015. Outros dirigentes opositores, como o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, também estão detidos.

A inflação avançou sem controle: de 68,5% em 2014 avançou 180,9% em 2015, a mais alta do mundo. Para 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta 720% e 2.200% em 2017.

Simultaneamente, a economia continuava em queda livre: após um crescimento de 1,3% em 2013, em 2014 se contraiu 3,9% e no ano passado 5,7%.

A desvalorização também não deu trégua. Em junho de 2015, o dólar valia 400 bolívares no mercado paralelo; hoje está em 1.096 bolívares.

Analistas e organizações privadas calculam a escassez de alimentos em mais de dois terços, e em 80% a de medicamentos essenciais.

- Vitória no parlamento, revogatório contra-relógio-Segundo Maduro, a receita petrolífera passou de 37,2 bilhões de dólares em 2014, a 12,567 bilhões de 2015; a isso, se soma um "boicote financeiro" promovido pelos Estados Unidos para fechar o acesso ao crédito internacional à Venezuela.

Isso provocou o acúmulo de dívidas com provedores internacionais por 12 bilhões de dólares, só no setor industrial, pois os empresários encontram cada vez mais dificuldade de ter acesso às divisas subsidiadas, monopolizadas pelo governo.

A crise marcou as eleições legislativas de 6 de dezembro, quando o chavismo sofreu o pior revés ao perder de forma avassaladora o controle da Assembleia pela primeira vez em 17 anos de governo.

Sem dar respiro ao governo, a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) se comprometeu na busca por um mecanismo para tirar Maduro do poder, apontando um referendo revocatório, que espera realizar neste ano.

Cerca de 68% dos venezolanos apoiam uma mudança de governo, segundo a firma Venebarómetro.

Se o revogatório for realizado antes de 10 de janeiro de 2014, quando o período presidencial completa quatro anos, e Maduro perder, serão convocadas novas eleições. Se isso acontecer após essa data e Maduro perder, os dois anos restantes serão conduzidos pelo vice-presidente.

Em meio a um estado de exceção decretado na última sexta-feira, a MUD adverte que manterá as mobilizações para exigir que o CNE cumpra os prazos para a celebração do referendo, que ainda depende de o CNE validar assinaturas entregues no dia 2 de maio.

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