Ruanda expulsou mais de 1.500 burundineses desde sexta-feira

Kigali, 16 Mai 2016 (AFP) - Desde sexta-feira, Ruanda expulsou 1.500 burundineses, a maioria moradores há muitos anos no país, ao considerá-los imigrantes ilegais, segundo fontes oficiais de Ruanda e Burundi.

As autoridades ruandesas, que mantêm relações frias com o regime burundinês, indicaram que estas expulsões ocorreram no âmbito dos controles habituais e não se dirigiam "particularmente aos burundineses".

"Contávamos com um certo número de burundineses distribuídos por todo o país que não tinham documentos", declarou à AFP Séraphine Mukantabana, ministra ruandesa encarregada dos refugiados.

"Trata-se de burundineses não refugiados, em situação irregular, que escolheram deliberadamente voltar ao Burundi em busca dos documentos indispensáveis para sua estadia. Não houve pressão", disse.

Uma fonte oficial ruandês, que não quis revelar sua identidade, nega a noção de reciprocidade e disse à AFP que milhares de ruandeses vítimas de maus-tratos fugiram do Burundi desde o início da crise neste país, em abril de 2015, e acrescentou que os ruandeses em situação irregular no Burundi são sistematicamente expulsos.

No Burundi, Philippe Ngabonziza, administrador da Ntega, uma comunidade da província fronteiriça de Kirundo, afirmou que sua localidade acolheu "entre sexta-feira e domingo" "1.320 burundineses expulsos de Ruanda".

Em meados de fevereiro, Ruanda ameaçou realocar em terceiros países os refugiados do Burundi que fogem da crise política em seu país.

Segundo fontes dos dois países consultadas pela AFP, os burundineses expulsos neste fim de semana não corresponderiam a esta categoria.

"Alguns viviam em Ruanda há dez anos com trabalhos temporários. Foram obrigados a deixar tudo", afirmou o governador de Ngozi.

Há vários meses, o Burundi acusa Ruanda de recrutar e treinar refugiados do Burundi com o objetivo de derrubar o presidente burundinês, Pierre Nkurunziza. A reeleição de Nkurunziza em julho de 2015 para um terceiro mandato colocou o país em uma grave crise política que deixou 500 mortos e 270.000 refugiados.

Um relatório por enquanto confidencial da ONU ao qual a AFP Teve acesso na sexta-feira acusa novamente Ruanda de treinar os refugiados do Burundi e afirma que este apoio "prosseguiu durante o início do ano de 2016", algo que Ruanda desmente categoricamente.

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