Incêndios destroem alojamento e provocam novas evacuações no Canadá

Montreal, 17 Mai 2016 (AFP) - Os incêndios florestais na província de Alberta, no oeste do Canadá, continuam a avançar nesta terça-feira, destruindo um alojamento para trabalhadores de empresas petroleiras, ameaçando outros acampamentos e obrigando as autoridades a realizarem novas evacuações na região de Fort McMurray, segundo as autoridades.

Cerca de 8.000 pessoas em 20 acampamentos de empresas petroleiras, enormes urbanizações de casas pré-fabricadas a cerca de 50 km ao norte da cidade, foram evacuadas entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, enquanto o fogo se espalha e se intensifica, disse a primeira-ministra de Alberta, Rachel Notley, em uma coletiva de imprensa.

"Esperamos que o fogo aumente em muitos desses acampamentos hoje", disse Notley.

A ordem de evacuação obrigatória dos acampamentos foi feita na segunda-feira às 22h locais (01h de terça-feira em Brasília), quando ventos do oeste espalharam os incêndios florestais até as proximidades das instalações petroleiras.

Na manhã de terça-feira, milhares de empregados de companhias petroleiras e empresas de serviços que operam nos acampamentos do setor continuavam sendo evacuados para o norte devido ao bloqueio da estrada 63, que leva ao sul.

O maior grupo petroleiro canadense, Suncor, interrompeu as operações nas suas instalações da zona atingida após a ordem de evacuação, pela segunda vez desde o início da crise dos incêndios florestais.

Em Fort McMurray, duas explosões provocaram danos em 10 casas, mas o fogo foi rapidamente apagado e ninguém ficou ferido.

O serviço de incêndios de Alberta combate atualmente 19 focos ativos de incêndio na província - oito dos quais surgiram nas últimas 24 horas -, sendo que cinco deles estão fora de controle, apesar de estarem sendo combatidos por cerca de 2.000 bombeiros.

O maior deles, na cidade de Fort McMurray e no seu entorno, já atinge cerca de 355.000 hectares, o que representa "um aumento significativo em relação a ontem", disse Notley.

No total, cerca de 100.000 pessoas já abandonaram a região em torno de Fort McMurray desde o início dos incêndios, há cerca de duas semanas.

Fumaça densaO incêndio mais impressionante, pela sua força e pela rapidez com que avança, continua sendo o da cidade de Fort McMurray, no qual estão trabalhando mais da metade dos bombeiros para evitar que as chamas se espalhem para as instalações e campos petroleiros.

Após avançar em direção ao leste, o incêndio que começou em 1º de maio na fronteira de Fort McMurray se encontra agora a escassos 10 km da fronteira com a província vizinha de Saskatchewan.

O fogo gigantesco de Fort McMurray já devastou cerca de 2.900 km2 de florestas, alimentado pelo clima quente e seco e pelos ventos de, em média, 40 km/h.

A primeira-ministra de Alberta, Rachel Notley, se referiu, na segunda-feira, às difíceis e perigosas condições em toda a zona, com fogos intensos que produzem fumaças densas que cobrem toda a cidade, dificultando os trabalhos de restabelecimento das redes de água e gás e de reparação da infraestrutura de Fort McMurray.

A qualidade do ar na região devido à fumaça continua mais de três vezes acima dos níveis aceitáveis, representando um risco para bombeiros e atrasando o retorno de milhares de moradores.

O comitê de crise do governo teve que modificar a data de retorno dos evacuados, estimando que acontecerá "nos próximos dias", mas alertando que isso depende de que "o fogo deixe de representar um perigo imediato" para a população.

O agravamento da situação nesta terça-feira em Fort McMurray teve consequências significativas na atividade econômica. Segundo as previsões do Conference Board do Canadá, a produção petroleira foi reduzida em 1,2 milhão de barris por dia, o que representa uma perda de um bilhão de dólares em royalties para os cofres públicos.

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