Reunião termina sem acordo sobre a Síria, que tem novos combates entre rebeldes

Viena, 17 Mai 2016 (AFP) - O Grupo Internacional de Apoio à Síria (GISS), dirigido por Estados Unidos e Rússia, não conseguiu nenhum avanço nesta terça-feira em Viena sobre a paz no país, onde combates entre facções rebeldes deixaram dezenas de mortos perto de Damasco.

As potências mundiais e países vizinhos da Síria reunidos para tentar relançar as negociações para uma eventual transição política não conseguiram fixar data nem reforçar o instável cessar-fogo entre o regime de Bashar al-Assad e grupos insurgentes.

"Uma nova data? Por enquanto não vou dizer nada", insistiu o emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, após o encontro.

No terreno, ao menos 50 combatentes e dois civis morreram nesta terça-feira em confrontos entre o grupo Jaysh al Islam e as facções apoiadas pela rede Al Qaeda no leste de Damasco, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Os combates não param há três semanas na Guta Oriental, o reduto mais importante da rebelião na província de Damasco, entre o influente grupo de inspiração salafista Jaish al-Islam e as facções dirigidas pelo braço local da Al-Qaeda, a Frente al-Nosra.

Nas últimas semanas, esses confrontos fizeram 500 combatentes e uma dezena de civis mortos, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

"É uma verdadeira luta pelo poder" entre as duas facções, indicou Rahman à AFP.

À espera de um cessar-fogo confiávelA trégua entre o regime e os rebeldes, instaurada no fim de fevereiro, sob os auspícios de Washington e Moscou, foi violada várias vezes e em várias regiões.

O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que GISS concordou em dizer que poderia haver consequências para as partes que violarem a trégua e prometeu manter a pressão sobre Assad.

Seu colega russo, Serguei Lavrov, reiterou a posição da Rússia de apoiar o exército do regime em sua luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que controla extensas áreas do país.

As discrepâncias entre os Estados Unidos e a Rússia dificultaram o avanço dos esforços para acordar um marco de transição na Síria.

A transição está prevista nas negociações a partir de 1º de agosto e mencionada também em uma resolução da ONU.

Mas Kerry declarou que a data era apenas "um objetivo" e não um "prazo limite".

"Todos reconhecemos que se fazemos progressos significativos e avançamos, respeitaremos este processo", acrescentou o secretário de Estado após a reunião.

As grandes potências alertaram seriamente sobre um "possível retorno à guerra total", admitiu Salem al Meslet, porta-voz do Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne grande parte da oposição síria.

O destino do presidente Bashar al-Assad é a questão-chave que opõe as potências mundiais e regionais do GISS, um grupo formado por 17 países (entre eles Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita e Irã) e três organizações internacionais, incluindo a União Europeia.

"Não há um futuro sustentável para a Síria com Assad", afirmou o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, ao chegar a Viena. "É por isso que devemos discutir, sob os auspícios da ONU, as modalidades de um governo de transição e colocar as coisas na direção certa".

Rússia e Irã são favoráveis ao esforço diplomático do GISS, mas ao mesmo tempo continuam sendo um apoio decisivo do regime sírio em terra.

Os combates continuamKerry anunciou que as cidades assediadas na Síria pelas forças do regime receberão uma ajuda alimentar internacional por lançamento aéreo a partir de 1º de junho, se a ONU não conseguir acesso humanitário.

Consultado sobre as declarações do secretário de Estado americano, o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, disse que o lançamento de ajuda humanitária de aviões será usado como "último recurso".

"Esta solução é o último recurso", explicou, devido ao seu alto custo, a que os lançamentos são imprecisos e à necessidade de coordenar bem as entregas com quem as recebe no terreno", disse.

"Se não houver acesso por terra, faremos lançamentos aéreos, (...) mas preferimos um acesso por vias completamente livres", afirmou.

Na noite de segunda-feira, pelo menos três civis, entre eles uma mãe e sua filha, morreram em um bombardeio do regime sobre o bairro rebelde de Sukari, em Aleppo, onde o último cessar-fogo acordado expirou na quinta-feira passada.

Na província de Idleb (noroeste), controlada em sua maior parte pela Frente Al Nosra, braço sírio da Al Qaeda, oito civis morreram em bombardeios do regime.

Facções e potênciasDesde que começou a rebelião contra o regime de Assad, em março de 2011, a guerra deixou mais de 270 mil mortos e obrigou milhões de pessoas a deixar suas casas, provocando uma grave crise humanitária na região e na Europa.

O conflito sírio tem numerosos protagonistas no terreno e causa profundas divisões internacionais. Também favoreceu a ascensão dos grupos extremistas islâmicos EI e Al Nosra.

A isto se soma a implicação militar de vários países. A Rússia apoia o regime de Assad com sua aviação, enquanto a Turquia bombardeia as forças curdas sírias e a coalização internacional dirigida pelos Estados Unidos combate o EI desde 2014.

Este ano foram realizadas sem sucesso três rodadas de negociações entre as partes sírias envolvidas no conflito. A última, em abril, teve que ser suspensa com a retomada dos combates em Aleppo (norte).

dc-smk/ia/aoc-bc-jz/lmm/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos