ONU: retração econômica ameaça direitos das mulheres na América Latina

Montevidéu, 18 Mai 2016 (AFP) - A América Latina sai de uma década de avanço econômico e entra em um período de retração que ameaça algumas das conquistas alcançadas em matéria de igualdade entre homens e mulheres, alertou nesta quarta-feira um painel de especialistas em Montevidéu.

"Vamos saindo na região de uma longa década de prosperidade com resultados insuficientes, do ponto de vista das mulheres", disse Lara Blanco, diretora regional adjunta para as Américas e o Caribe da ONU Mulheres.

Como exemplo, apontou a taxa de desemprego de mulheres na região é três pontos superior àquela que corresponde aos homens.

Blanco advertiu que, em um contexto de retração das economias regionais depois de um período de forte crescimento, corre-se o "risco de perder conquistas sociais que são importantes para as mulheres".

Blanco participou em Montevidéu do evento "Igualdade de Gênero: avanços e desafios do Uruguai na perspectiva regional", junto à diretora do Instituto Nacional das Mulheres do Uruguai (Inmujeres), Mariella Mazzotti, e a coordenadora residente da ONU em Uruguai, Denise Cook.

"Os esforços que foram feitos (na América Latina e no Caribe) para reduzir a violência contra as mulheres não têm sido exitosos embora tenham sido grandes", avaliou Blanco.

A representante da ONU se referiu em particular à situação do chamado "triângulo norte" da América Central, formado por Honduras, Guatemala e El Salvador.

"A situação do triângulo norte da América Central é cada vez mais alarmante", argumento, ressaltando casos de violência e de controle sobre a vida das mulheres.

Blaco pediu que se acelerem os esforços pela igualdade na região e afirmou que é "indispensável mudar a escala de investimentos para pôr freio à violência contra as mulheres".

Segundo os últimos dados disponíveis no Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para América Latina (Cepal), a taxa de homicídios de mulheres por seus companheiros e ex-companheiros na América Latina, Caribe, Espanha e Portugal, tem seu maior número absoluto na Colômbia, com 145, e a taxa mais alta no Suriname, com 2,61 assassinatos para cada 100.000 mulheres.

O relatório da Cepal é produzido a partir de dados oficiais e estudos acadêmicos que reúnem os últimos resultados em cada país e não estabelece um período de tempo específico.

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