Afastada da Presidência, Dilma Rousseff torna-se ativa nas redes sociais

Brasília, 19 Mai 2016 (AFP) - Inacessível, isolada, centralizadora, foram alguns dos adjetivos usados para definir Dilma Rousseff durante a sua presidência. Mas desde que foi afastada, ela exerce uma intensa presença virtual e até montou um tipo de gabinete para esclarecer dúvidas pelo Facebook.

Em um esboço de democracia direta via redes sociais, que também serve para dirigir diversas críticas ao governo interino do presidente Michel Temer, Dilma responde nesta quinta-feira a perguntas da população sobre a "extinção do Ministério da Cultura", uma das primeiras medidas da nova gestão.

Com a hashtag #DilmaEJucaRespondem, a presidente afastada publicou na rede social uma foto em que aparece sorrindo, sentada diante de um notebook, ao lado do ex-ministro da Cultura Juca Ferreira.

"É bom lembrar que a criação do Ministério da Cultura foi uma das primeiras medidas depois da conquista da eleições diretas para a Presidência da República. Isso não foi uma coincidência. O fim da ditadura (1964-1985) foi um período que permitiu o país voltar a sonhar com mais liberdade", escreveu, ao responder a uma pergunta sobre as consequências da degradação do ministério para secretaria.

"É como se quisessem retornar a um passado autoritário", desabafou.

Na véspera, ela usou a mesma via para discutir com usuários sobre o corte aos programas sociais que o novo governo prepara. Nessa ocasião foi acompanhada pela ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome de sua gestão, Tereza Campello.

Presidente afastada, presidente interinoAntes de ser afastada, especulações a imaginavam solitária, confinada e preparando sua defesa no Palácio da Alvorada, residência presidencial que em que Dilma Rousseff enquanto dura seu julgamento político (até 180 dias) por suspeita de maquiar contas públicas.

Mas além de disputar a opinião pública no mundo virtual, Dilma Rousseff antecipou que viajará dentro e fora do Brasil para lutar politicamente contra um governo que considera "ilegítimo" e fruto de "um golpe de Estado".

Nesta sexta-feira, ela participará do quinto "Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais", em Belo Horizonte, confirmou à AFP sua assessoria de imprensa.

Os organizadores de um ato de repúdio ao governo Temer, que será realizado no mesmo dia na capital mineira, publicaram no Facebook que a presidente também participará do protesto, denominado "Golpista não deve governar".

Praticamente não tem deixado passar uma medida de Temer, seu ex-vice e aliado transformado em inimigo, sem soltar uma crítica no Twitter.

Na quarta-feira, ela parabenizou o elenco do filme brasileiro Aquarius, que mostrou cartazes contra o impeachment no tapete vermelho do festival de Cannes.

"Um beijo enorme em nome da democracia", publicou no Twitter, onde também reproduziu o vídeo do protesto.

A crise política que conduziu ao afastamento de Rousseff um ano e meio depois de ser reeleita com mais de 54 milhões de votos abriu uma era inédita em que uma presidente afastada, cujas fotos ainda recebem os visitantes no Palácio do Planalto, sede do poder Executivo, e um presidente interino.

Luta pela sobrevivênciaNesta quinta-feira, quem vai nadar nestas águas turbulentas é outro inimigo público de Dilma, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados afastado e considerado o articulador do impeachment.

Cunha, que aprovou o pedido de impeachment quando presidia a Câmara, agora luta para salvar a própria pele na comissão de Ética da Casa que dirigia.

Lá, é investigado para determinar se mentiu acerca de uma série de contas não declaradas no exterior que seriam de sua propriedade.

Acusado pela procuradoria de ter cobrado propina no âmbito do esquema de corrupção na Petrobrás, Cunha utilizou os mesmo argumentos usados pelos advogados de Rousseff para tentar resgatá-la do processo de impeachment: restrição do direito de se defender e incorporação de elementos alheios à acusação original durante o processo.

Paradoxalmente, os destinos dos dois protagonistas da feroz guerra que sacode o Brasil parecem se entrelaçar, enquanto Temer trabalha contra o relógio para dar algum sinal de sucesso na tarefa de tirar o país da recessão econômica e, assim, melhorar sua baixíssima popularidade.

Se o Senado sentenciar Rousseff de maneira definitiva, Temer terminará seu mandato em 31 de dezembro de 2018.

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