Ex-prefeito de Londres vence concurso de poesia satírica sobre Erdogan

Londres, 19 Mai 2016 (AFP) - O ex-prefeito de Londres e deputado conservador britânico Boris Johnson venceu nesta quinta-feira um concurso de poesia satírica sobre o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, em solidariedade a um humorista alemão processado.

Johnson, líder da campanha para tirar o Reino Unido da União Europeia e encarado como um possível sucessor de David Cameron, venceu a competição com um poema sobre "um jovem de Ancara (...) que semeou sua aveia selvagem, com a ajuda de uma cabra, mas ele nem mesmo parou para agradecê-la", diz o poema.

A criação de Johnson faz referência a uma poesia criada pelo humorista alemão Jan Boehmermann, que apresentava o islamista Erdogan como um zoófilo, que mantinha relações sexuais com cabras e ovelhas, e que por isso pode ser preso.

A revista Spectator foi quem convocou a competição, que concede um prêmio de 1.000 libras (1.465 dólares, 1.306 euros).

"Se alguém quiser fazer uma brincadeira sobre o amor que floresce entre o presidente turco e uma cabra, deveria poder fazê-la, em qualquer país europeu, incluindo a Turquia", disse Johnson à revista suíça Die Weltwoche.

O político chamou de "escândalo" o caso do humorista alemão, que pode acabar sentado no banco dos réus por uma lei alemã aplicada raras vezes que pune com três anos de prisão os que insultam dignitários de países estrangeiros.

Em abril, a chanceler alemã, Angel Merkel, autorizou uma ação penal impetrada pela Turquia contra o comediante, que leu na TV seu duro poema satírico sobre o presidente turco.

O caso envenenou as relações entre a Alemanha e a Turquia, parceira estratégica da Europa na atual crise migratória.

O processo se basearia no delito previsto no artigo 103 do código penal, que castiga os insultos com penas de até três anos. Este artigo só pode ser aplicado com a aprovação do governo federal alemão.

Ao mesmo tempo, Merkel anunciou a sua intenção de suprimir a lei em questão com uma reforma legislativa que entrará em vigor em 2018.

Já prevendo possíveis críticas, a chanceler ressaltou que a autorização para recorrer ao artigo 103 não significava que o humorista é culpado, nem que ultrapassou os limites legais da liberdade de expressão.

"Em um Estado de direito, a justiça é independente (...) está em vigor a presunção de inocência", assegurou.

"Autorizar um procedimento penal por este delito em particular (...) não é uma condenação a priori das pessoas envolvidas nem uma decisão sobre as liberdades na arte, imprensa e opinião", afirmou, insistindo que "os tribunais terão a última palavra".

O próprio comediante explicou no ar que estava ciente de que sua sátira ia além dos limites da liberdade de expressão legais na Alemanha.

Seu objetivo, disse, era demonstrar por meio do absurdo até que ponto o governo turco estava errado ao criticá-lo por um outro texto, uma canção transmitida duas semanas antes, em que criticava a deriva autoritária na Turquia.

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