Militares venezuelanos concluem treinamento de defesa em estado de exceção

Charallave, Venezuela, 22 Mai 2016 (AFP) - As Forças Armadas da Venezuela concluíram neste sábado dois dias de exercícios militares "Independência II 2016", insistindo no treinamento de civis para garantir a ordem interna e a defesa do país, em meio ao estado de exceção decretado pelo presidente Nicolás Maduro.

Os militares se mobilizaram em sete dos principais estados do país, situados na zona norte costeira. Lá, foram realizados testes de defesa diante do suposto desembarque de tropas inimigas e de ataques a instalações de distribuição do sistema elétrico.

O governo anunciou ter mobilizado 520.000 combatentes entre tropas militares e milícias civis treinadas.

Na tarde deste sábado, Maduro garantiu que as forças militares estão prontas "para processos internos de comoção, de desestabilização", ressaltando que, "para isso, estão as Redis e Zodis", distritos de operações militares em todo o país.

As milícias tiveram participação ativa no manejo e disparo de unidades de defesa antiaérea lança-foguetes, segundo imagens exibidas pelo canal de televisão estatal VTV.

Também foram treinados estudantes universitários armados com fuzis, a maioria com até 25 anos, em matas nos arredores de Caracas.

Sobre a participação dos civis como milícia, o ministro da Defesa e chefe do Comando Estratégico Operacional, Vladimir Padrino, garantiu que "o povo também está participando do que chamamos de órgãos de direção de defesa integral", para se envolver em "tarefas de luta não armada".

Guerra de resistênciaOs diferentes comandantes nos exercícios mencionaram a "guerra de resistência", ou guerra não convencional como um elemento-chave na defesa do país.

A guerra de guerrilhas contra o principal oponente do chavismo, os Estados Unidos, surge como a estratégia a ser adotada diante da invasão de um inimigo externo, ou como uma opção de batalha frente a um inimigo interno.

A polêmica sobre essa demonstração da "envergadura" militar do governo de Maduro foi mais uma vez usada pela oposição, que considerou que o decreto de estado de exceção, em vigor desde a semana passada, é "inconstitucional" e um passo a mais na direção de uma "ditadura".

Componente militar criado pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), a Milícia Bolivariana foi um corpo criticado pela oposição, que adverte que está formado ideologicamente em favor de um setor político em um país altamente polarizado na política.

Hoje, o ministro Padrino esclareceu que "não há com que se preocupar, não é preciso lançar alarmes, nem nada. As Forças Armadas têm o controle das armas, mas o conceito de defesa nacional está na união cívico-militar".

Em Charallave, localidade a 45 minutos de Caracas, ao sul, no estado de Miranda, 14 adidos militares de vários países - entre eles Argentina, Alemanha, Espanha, França, Trinidad e Tobago, Peru e México - observaram o desempenho no terreno de unidades de defesa antiaérea de fabricação russa, operadas tanto por tropas do Exército venezuelano quanto por alguns membros da milícia.

O sistema de mísseis terra-ar BUK-M2E, o lança-mísseis portátil 9K338 Igla-S, ou o canhão automático antiaéreo ZU-23-2M foram mobilizados em um exercício de defesa contra algum ataque aéreo a uma estação de distribuição elétrica na região central.

Um breve exercício de cerca de cinco minutos demonstrou uma "emboscada integral", na qual o sistema BUK, mobilizado em caminhões, preparava-se para atacar alvos aéreos, enquanto tropas camufladas no mato operavam o canhão antiaéreo e o lança-mísseis portátil, dando fogo de cobertura.

Falando de um dos treinamentos no Litoral Central venezuelano, Maduro alegou que as manobras defendem "o povo da Venezuela e seu direito à independência". Afirmou ainda que o único caminho é "o do projeto de Simón Bolivar, o de Hugo Chávez".

Ao anunciar os treinos militares, Maduro garantiu que não vacilará em decretar a "comoção interior" - que implicaria restrições às liberdades civis -, se episódios "golpistas violentos" forem registrados.

Alguns analistas consideram que as operações militares são uma maneira de infundir medo na população, em um contexto já sensibilizado por uma grave crise econômica e política.

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