Guerrilha ELN é principal suspeita de sequestro de jornalista espanhola na Colômbia

Madri, 23 Mai 2016 (AFP) - A jornalista espanhola Salud Hernández-Mora, desaparecida no sábado no nordeste da Colômbia, estaria nas mãos do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), indicaram nesta segunda-feira o jornal El Mundo e o chefe da diplomacia espanhola.

"A jornalista espanhola e correspondente do El Mundo na Colômbia, Salud Hernández-Mora, encontra-se sequestrada pela guerrilha", publicou o jornal em sua edição on-line, acrescentando que ela desapareceu na região de Catatumbo (nordeste).

"A zona, de difícil acesso, é controlada pelo ELN", acrescentou.

Em Bruxelas, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel García Margallo, confirmou que "tudo leva a crer que pode ser o ELN", ao chegar a uma reunião de chefes da diplomacia europeia.

Hernández, colunista do jornal colombiano El Tiempo e colaboradora do El Mundo, foi vista pela última vez por volta do meio-dia de sábado no município de El Tarra, informou no domingo o ministério da Defesa colombiano em um comunicado.

O El Mundo falou com a freira Amanda Bedoya, da Igreja de Nossa Senhora da Assunção em El Tarra, que disse ter visto a jornalista no sábado.

"Estive com Salud falando de diversos temas. Entrevistou-me, falamos agradavelmente e ao meio-dia de sábado foi pegar um ônibus em direção a Cúcuta", disse a religiosa ao jornal espanhol.

"Todas as medidas"A jornalista, que vive há muito tempo no país sul-americano e que também tem nacionalidade colombiana, fazia uma reportagem na região sobre uma greve de moradores para protestar pelo desaparecimento de duas crianças, que já foram localizadas, segundo o El Mundo.

Hernández escreveu a respeito em sua conta do Twitter pela última vez no sábado, sobre a manifestação em El Tarra.

"Ordenei à Força Pública prioridade e dedicação para estabelecer o paradeiro da jornalista @saludhernandezm", publicou, também no Twitter, o presidente Juan Manuel Santos.

García-Margallo disse ter falado com a embaixada espanhola em Bogotá e explicou que "todas as medidas (para encontrar a jornalista) estão sendo tomadas".

"De fato, foi deslocada uma unidade que se chama Gaula, que é especialista em sequestros, para tentar averiguar o destino e sobretudo quem é o autor do sequestro e se fica confirmado que é um sequestro", explicou o chefe da diplomacia espanhola.

Na zona onde a jornalista desapareceu atuam, além do ELN, as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército Popular de Libertação, embora nenhum grupo tenha reivindicado o sequestro.

Negociações paradasO chanceler espanhol lembrou que, embora estejam ocorrendo contatos entre o ELN e o governo colombiano no Equador, o início das negociações de paz formais anunciadas no fim de março entre Bogotá e o segundo grupo guerrilheiro do país foi freado pelo tema dos sequestros, que esta guerrilha se nega a abandonar como fonte de recursos.

"Como dado, sabemos que é um grupo mais descentralizado e menos hierarquizado que as Farc, razão pela qual os comandantes locais têm um protagonismo que não existe no outro grupo colombiano", explicou García-Margallo.

As Farc e o governo estão próximos de um acordo definitivo para acabar com um conflito de mais de seis décadas, depois de fechar acordos em quatro dos seis pontos da agenda de suas negociações de paz.

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