Suíça levanta embargo de tela de Modigliani encontrada após 'Panama Papers'

Genebra, 27 Mai 2016 (AFP) - Um quadro de Modigliani, que havia sido roubado durante a Segunda Guerra Mundial e que foi apreendido no porto de Genebra, no contexto das revelações dos chamados "Panama Papers", foi devolvido a seu legítimo dono, o colecionador de arte David Nahmad.

"Foram realizadas investigações e não pudemos confirmar as suspeitas (sobre a propriedade da obra). O embargo será retirado", explicou à AFP o porta-voz do poder judiciário de Genebra, Henri Della Casa.

O embargo foi levantado na segunda-feira, afirmou, sem precisar quais suspeitas recaíam sobre a obra.

Em 11 de abril, o Ministério Público do cantão de Genebra havia anunciado a abertura de um processo penal no âmbito das revelações dos chamados 'Panama Papers' com o objetivo de realizar "verificações relacionadas à presença de um quadro de Modigliani em Genebra".

A tela em questão, do pintor italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), cujas obras atingem valores recordes em leilões, é o "Homem sentado apoiado numa bengala". A obra está avaliada em 25 milhões de dólares, de acordo com a imprensa suíça.

De acordo com a Mondex Corp, uma empresa canadense especializada em encontrar obras roubadas, a pintura foi roubada pelos nazistas de um colecionador de arte judeu que fugiu de Paris em 1939.

A pintura foi então adquirida em 1996 em um leilão em Londres pela companhia offshore International Art Center (IAC), criada pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonsseca.

A Mondex indicou que a família Nahmad, que construiu sua fortuna com o comércio de obras de arte, é a proprietária da pintura. Os Nahmad têm uma coleção privada estimada em 4.500 peças, incluindo 300 Picasso, armazenada nos portos francos de Genebra.

A Mondex acionou a justiça americana em 2011, em nome de Philippe Maestracci, um agricultor francês, neto do verdadeiro dono, para recuperar o Modigliani.

Mas diante dos tribunais americanos, a família Nahmad disse não ser dona do Modigliani em questão e que este era de propriedade da IAC.

No entanto, um documento publicado pelo jornal suíço Le Matin e pelo francês Le Monde sobre os "Panama Papers" revela que a família Nahmad é a verdadeira dona da IAC.

A pintura seria de propriedade de David Nahmad, atualmente o único acionista da empresa offshore IAC.

Entrevistado pela Radio-Canada, David Nahmad, também judeu, disse que jamais aceitaria possuir uma obra de arte roubada pelos nazistas. "Eu não conseguiria dormir à noite se soubesse que tenho um objeto roubado", disse ele.

Segundo o jornal francês Le Monde, o quadro que se encontrava nos Portos Francos de Genebra (espaço isento de pagamento de direitos aduaneiros e IVA) seria uma obra que o antiquário Oscar Stettiner renunciou durante uma venda forçada em 1944.

Na ausência de evidências conclusivas, o caso foi arquivado.

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