Três naufrágios em três dias deixam ao menos 70 mortos no Mediterrâneo

Cagliari, Itália, 27 Mai 2016 (AFP) - Três naufrágios de embarcações com refugiados em três dias, um deles, filmado ao vivo, deixaram ao menos 70 mortos e dezenas de desaparecidos no Mediterrâneo, segundo autoridades italianas, em meio a uma avalanche de tentativas de travessia a partir da Líbia.

A guarda costeira italiana foi alertada sobre o afundamento de uma embarcação, nesta sexta-feira, com 350 imigrantes a bordo. Inicialmente, as autoridades informaram ter conseguido resgatar 135, o que deixava antever uma tragédia com as duas centenas restantes.

"O navio Vega socorreu 135 imigrantes que estavam em uma embarcação parcialmente naufragada. Foram recuperados 45 corpos e as investigações continuam", informou a Marinha, em seguida, em sua conta no Twitter.

Entre a quarta e a quinta-feira, dois naufrágios na mesma região causaram ao menos 30 mortos e dezenas de desaparecidos.

"Três naufrágios em três dias é muito inquietante. Estamos vendo chegar barcos de pesca de qualidade muito ruim", declarou à AFP Carlotta Sami, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Doze mil pessoas foram resgatadas em alto-mar em frente à costa líbia esta semana, e só nesta sexta-feira uma quinzena de embarcações em dificuldades foram avistadas.

A chegada de imigrantes na Itália saindo da Líbia ocorre sempre em ondas, com uma alternância de períodos de tranquilidade com uma alternância de períodos tranquilos e saídas maciças.

"É excepcional, estamos quase no nível das ilhas gregas no ano passado", quando milhares de imigrantes chegavam diariamente através da Turquia, explicou Flavio di Giacomo, porta-voz na Itália da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O fluxo de embarcações esta semana foi excepcional, mas desde o começo do ano, as chegadas ao território italiano de imigrantes ilegais através do Mediterrâneo se mantém no mesmo nível que nos últimos dois anos.

Segundo cifras da Cruz Vermelha, no total chegaram à Itália, desde janeiro, 37.785 pessoas.

"Nas embarcações de migrantes, os que estão no compartimento de carga atuam como lastro, mas sempre tentam sair o quanto antes. Durante o resgate de ontem (quarta-feira), os que estavam no compartimento saíram e fizeram subir o centro de gravidade da embarcação, que perdeu estabilidade", explicou à AFP Antoine Laurent, oficial da Marinha mercante francesa, que atua nos trabalhos de salvamento.

O tempo está melhorando no Mediterrâneo, com a chegada do verão no hemisfério norte, o que ajuda a explicar as tentativas de travessia em massa, mas os observadores estão surpresos porque até agora os traficantes da Líbia mandavam as pessoas em botes infláveis, com 100 a 140 pessoas a bordo.

Uma equipe de psicólogos e mediadores da ONG Médicos sem Fronteiras presenciou cenas de desespero dos sobreviventes do primeiro naufrágio, na quarta-feira, quando estes chegaram a Porto Empedocle, no sul da Itália.

"Quase todos perderam um ou vários familiares", explicou à AFP Andrea Anselmi, chefe de projeto da MSF na Sicília.

O destino de uma menina de nove meses, Favor, que chegou a solo italiano órfã de pais, que se afogaram no naufrágio, comoveu a opinião pública italiana,

As estimativas do número de pessoas que se prepara para sair da costa líbia são impossíveis de verificar e variam das dezenas às centenas de milhares.

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