Apesar das medidas do BCE, a inflação da Eurozona continua no negativo

Bruxelas, 31 Mai 2016 (AFP) - A inflação voltou a cair em maio na zona do euro e o desemprego se manteve estável em abril, mas em um nível alto, tendências que refletem os efeitos ainda insuficientes das medidas do Banco Central Europeu (BCE).

Segundo dados da agência europeia de estatísticas, Eurostat, publicados nesta terça-feira, a inflação na zona do euro foi de -0,1% em maio enquanto o desemprego para o mês de abril se manteve estável em 10,2%.

A inflação subjacente, que não considera os preços da energia, os alimentos, as bebidas alcoólicas e o cigarro, mais reveladora da tendência real da evolução dos preços, subiu apena um décimo em maio, a 0,8%.

Os preços da energia tiveram uma queda menor em maio -8,1%, após ter retrocedido em abril (-8,7%), com um barril de Brent, referência para Europa, negociado perto dos 50 dólares. Foi uma melhora gradual depois que o barril de Brent caiu em janeiro abaixo dos 30 dólares, seu nível mais baixo em 13 anos.

Já o desemprego se manteve estável em 10,2% em abril, seu nível mais baixo desde agosto de 2011. Em relação ao mês de março são 63.000 pessoas a menos nas listas de desempregados.

"A taxa de desemprego deu um empurrão na economia da zona do euro nos últimos meses, a queda na quantidade de desempregados gerou uma maior demanda doméstica", afirmou Bert Colijn, economista do banco ING.

"Estamos longe, contudo, de ver uma pressão significativa nos preços do mercado de trabalho", ressaltou Colijn. Por isso, os operadores econômicos estão atentos aos próximos passos do BCE.

A evolução dos preços é a obsessão da autoridade monetária europeia. O BCE tem como meta manter a inflação pouco abaixo dos 2%.

Para atingir essa meta está disposto a utilizar "todos os instrumentos disponíveis", repetiu o presidente da instituição Mario Draghi em abril.

O BCE já colocou em prática uma série de medidas para estimular a economia na zona do euro. Mantém sua principal taxa de juros, que mede o crédito na zona do euro, em zero desde março.

O BCE lançou um amplo programa de compra de dívida pública e privada, que estendeu aos papéis emitidos por empresas a partir de junho.

Na quinta-feira, o conselho do BCE voltará a se reunir, como faz mensalmente, mas é "improvável que os dados da inflação tenham impacto" no resultado de sua reunião, estimou Johannes Gareis, economista do banco Natixis.

"É provável que o BCE enfatize que algumas das medidas anunciadas em março estão começando a surtir efeito (...) e que é preciso paciência", afirmou Howard Archer, economista-chefe da IHS Global Insight's.

"Maio pode finalmente ser o último mês de deflação na zona do euro", prevê Howard Archer.

Isso poderá acontecer caso a evolução dos preços do petróleo se mantenha em alta. Gareis concorda que uma melhora nos preços da energia favorecerá uma pressão inflacionária.

Segundo analistas, esse aumento dos preços da energia não se reflete ainda na inflação, que apenas subiu um décimo em maio, a 0,8%. Jonathan Loynes, economista-chefe da Capital Economics, afirma que "a pressão nos preços subjacentes deverá se manter suave, dada a contínua fraqueza dos aumentos salariais".

Para Bert Colijn, em sua reunião na quinta-feira, o BCE poderá utilizar esses dados da inflação e do desemprego para justificar a política monetária flexível adotada há alguns meses e duramente criticada pela Alemanha.

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