Justiça divulga documentos polêmicos sobre 'universidade' Trump

Washington, 1 Jun 2016 (AFP) - Ex-funcionários que denunciam fraude, técnicas de venda controversas: a justiça dos Estados Unidos publicou novos documentos incômodos para a "universidade" fundada por Donald Trump, em 2004, e que hoje é alvo de uma investigação.

A instituição, que fechou as portas em 2010, poderia levar o provável candidato republicano à Casa Branca diante dos tribunais.

"Enquanto a Universidade Trump fingia ajudar a ganhar dinheiro em imóveis, a única coisa que lhe interessava era vender caros seminários", declarou o ex-diretor de vendas Ronald Schnackenberg em uma declaração por escrito.

Schnackenberg renunciou em 2007 por práticas "enganosas, fraudulentas e desonestas", fazendo eco às queixas coletivas dos antigos "alunos" que asseguram terem sido enganados.

Jason Nicholas, outro ex-funcionário, admitiu que os seminários estavam a cargo de pessoas "não qualificadas, que se faziam passar pelo 'braço direito' de Donald Trump".

"Era uma fachada, uma mentira total", disse em sua declaração.

A justiça publicou manuais que detalham as técnicas de venda: impulsionavam eventuais clientes a desembolsar até 35.000 dólares para "se formarem" nos seminários e, assim, conseguirem uma fortuna como a de Trump.

"Digam-lhes que encontraram a solução para os seus problemas e uma maneira de mudar suas vida", indica um dos manuais, que dá detalhes desde a localização das cadeiras até a temperatura ideal para se persuadir alguém.

"A adesão começa aqui. Assegurem-se de parabenizar o comprador, dar um aperto de mão e estabelecer contato visual", pode ser lido nas instruções em que os vendedores são obrigados a rechaçar "a falta de dinheiro como uma desculpa" para não entrarem na "universidade".

Contactado pela AFP, um porta-voz de Trump estimou que esses documentos não fundamentam bem a demanda e que, pelo contrário, revelam um "importante nível de satisfação" pelos estudantes.

Trump sempre defendeu sua universidade e acusa de parcialidade o juiz californiano encarregado do caso, Gonzalo Curiel, dizendo que ele seria desfavorável por ser "mexicano".

Curiel nasceu em Indiana, centro-oeste dos Estados Unidos.

A pré-candidata democrata Hillary Clinton, que poderá enfrentar Trump na eleição presidencial de 8 de novembro, afirmou que estes documentos mostram que o magnata é, em si mesmo, "um engano" e que tenta "fraudar" o país.

"Trump e seus funcionários se aproveitaram de americanos vulneráveis e os incentivaram a esgotar seus cartões de crédito, esvaziar seus fundos de pensão, destruir seu futuro financeiro, fazendo-lhes promessas que sabiam que eram falsas", condenou a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama, durante comício em Newark, a maior cidade do estado de Nova Jersey.

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