Vinte mil crianças bloqueadas em Fallujah, à mercê dos extremistas

Perto de Fallujah, Irak, 1 Jun 2016 (AFP) - As forças iraquianas apoiadas pelos Estados Unidos avançam com dificuldade em Fallujah, ante a resistência de centenas de extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), enquanto a ONU alertou que ao menos 20.000 crianças estão bloqueadas na cidade e sob a ameaça de serem recrutadas.

Na vizinha Síria, mais de 40 civis morreram em bombardeios aéreos do regime, da aviação russa e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, enquanto as forças curdas combatiam o EI em duas frentes.

No 10º dia da ofensiva que se anuncia difícil e longa, soldados e policiais iraquianos, apoiados pela aviação americana e auxiliados por milicianos xiitas e membros de tribos, tentavam avançar para o centro de Fallujah depois de entrar na segunda-feira neste reduto extremista, localizado 50 km a oeste de Bagdá.

"Nossas forças tentam entrar no centro da cidade, mas há uma forte resistência" do EI, indicou o general Abdelwahab al-Saadi, comandante da operação militar, relatando combates nas ruas.

Enquanto a ofensiva é apoiada pela coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos e preparada em coordenação com conselheiros militares americanos, o Pentágono disse que a batalha será "dura" e que os jihadistas tinham "a intenção de lutar".

Submetida a um cerco quase hermético em Fallujah, o EI está condenado a lutar, uma vez que não tem a opção de fugir, ao contrário de batalhas anteriores, onde os jihadistas conseguiram sair das cidades ante a progressão das forças armadas.

Crianças forçadas ao combateMas, sob o controle desta cidade da província de Al-Anbar desde janeiro de 2014, os extremistas fortaleceram suas defesas.

"A cada vez que nossas forças tentam avançar, se deparam com sistemas de defesa implementados pelo Daesh", acrônimo em árabe do EI, indicou um coronel da polícia.

Os comandantes iraquianos afirmam ter matado dezenas de membros do EI desde o início da ofensiva em 23 de maio, mas permanecem discretos sobre suas baixas.

"Desde o início da ofensiva, recebemos 70 caixões de mártires", relatou um membro das forças de segurança no "Vale da paz" em Najaf, o maior cemitério do mundo.

Autoridades da província de Basra confirmaram a morte de 26 milicianos pró-governo originários da região e um responsável confirmou 12 mortos originários de Najaf. Além disso, cerca de 100 combatentes foram hospitalizados desde segunda-feira. Desde setembro de 2015, a cidade não recebeu nenhuma ajuda.

Os poucos moradores que conseguiram escapar de Fallujah desde o início da ofensiva das forças governamentais afirmaram que a cidade sofre com falta de água potável e de alimentos.

Não há informações sobre vítimas civis, mas cerca de 50.000 pessoas estão bloqueadas no centro de Fallujah.

Entre eles, "o Unicef calcula que há pelo menos 20.000 crianças retidas na cidade", afirmou o representante no Iraque do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Peter Hawkins.

"As crianças correm o risco de um recrutamento forçado para os combates", disse Peter Hawkins.

"Os menores recrutados são obrigados a portar armas para combater em uma guerra de adultos. Sua vida e seu futuro estão em perigo", completou Hawkins.

O Unicef reiterou o apelo para a abertura de corredores seguros para que os civis possam sair da cidade.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, mostrou inquietação com a população de Fallujah, dirigindo-se aos comandos da operação. Citado pela TV, explicou que teria sido "possível finalizar a ofensiva rapidamente se a proteção dos civis não fosse um dos fundamentos do nosso plano".

O presidente do Parlamento, Salim al Jabouri, reuniu-se com autoridades da província de Al Anbar e com líderes de tribos locais para falar sobre "os meios de aportar ajuda às famílias bloqueadas e abrir corredores seguros" para que possam fugir.

A ONU acusa o Estado Islâmico de utilizar os civis como escudos humanos na batalha contra as tropas iraquianas apoiadas pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Ofensiva na SíriaO grupo radical aproveitou a guerra civil na Síria e a instabilidade no Iraque para se implantar.

A coalizão internacional, principalmente americana, representa uma ajuda crucial para as forças anti-extremistas, mediante ataques aéreos e conselheiros militares no terreno.

Na Síria, a coalizão internacional ajuda especialmente as Forças Democráticas Sírias (FDS), formadas sobretudo por combatentes curdos.

As FDS conduzem desde 24 de maio uma ofensiva para recuperar o terreno das mãos do EI no norte da província setentrional de Raqa, onde assumiu várias localidades.

As forças curdas também abriram uma nova frente de combate contra os extremistas na província vizinha de Aleppo (norte), visando recuperar o controle da cidade de Manbij, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"A luta é feroz", indicou um membro das FDS. Mas o EI ainda é combativo. Desta forma, continua com uma ofensiva na província de Aleppo para tomar duas cidades rebeldes, ameaçando dezenas de milhares de civis e deslocados.

O Centcom, o comando militar americano no Oriente Médio, informou sobre 18 ataques da a coalizão internacional contra posições do EI em Minbej.

"A ofensiva começou", a tomada de Minbej "é o próximo objetivo da coalizão", declarou um encarregado americano da Defesa, sob a condição de ter a identidade preservada.

Estes ataques aéreos da coalizão, somados aos do regime sírio e de seu aliado russo, mataram 42 civis nesta quarta-feira, segundo o OSDH.

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